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Eleições 2022

Eleição e concurso de miss: por duas polegadas a mais, passam o povo pra trás

Não são os políticos que devem elaborar as promessas, todas iguais. Somos nós, os eleitores, que devemos travar a batalha e formar grupos anônimos e a partir da realidade – nunca considerada – impor os pacotes de necessidades do bravo povo brasileiro

Públicado em 

11 out 2022 às 00:20
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Martha Rocha foi Miss Brasil em 1954
Martha Rocha foi Miss Brasil em 1954 Crédito: Reprodução
Nunca entendi porque os candidatos a cargos públicos prometem isso e aquilo sem querer saber o que precisamos de fato e onde. E principalmente se é possível. Mesmo. E muito mais, se ele ou ela será verdadeiramente capaz de cumprir as repetidas promessas.
Vota­-se na sedução mais esperta das campanhas, em boa parte dos casos. Parece concurso de Miss Brasil. O visual, as cores, as roupas, a sofisticada maquiagem, os maneirismos, o caminhar, as expressões e o timbre de voz são ensaiados à exaustão. Uma graça.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, acha-se mais inteligente e capaz do que eu. Um dia vou retirar a torta capixaba da dieta desse ingrato ladrador. Ele acha que a coisa das eleições a cargos públicos está invertida.
Não são os políticos que devem elaborar as promessas, todas iguais. Somos nós, os eleitores que devemos travar a batalha e formar grupos anônimos e sigilosos e a partir da realidade – nunca considerada – impor os pacotes de necessidades do bravo povo brasileiro.
Farinha pouca meu pirão primeiro, vou começar por exigir os direitos dos médicos do serviço público, concursados e sem horário de descanso. São obrigados a estudar, especializar-se e super especializar-se. Minha senhora, cada consulta - toda consulta ou atividade cirúrgica - constitui um contágio que é ofertado ao fim da jornada para os familiares.
Some-se a isso as emergências e as urgências que arrancam o ou a infeliz da cama morrendo de sono para um banho rápido antes de enfrentar a tensão de um atendimento de urgência e risco. Quanto aos salários nem pensar.
Os professores médicos das universidades e os profissionais dos serviços de saúde pública estão sujeitos diariamente aos riscos, independentemente de qualquer endemia. E o salário e aposentadoria da categoria, principalmente se comparados aos dos ministros, dos políticos, isto é, do povo que manda no dinheiro, que, aliás, é depositado do seu bolso todos os meses para pagar, inclusive, os privilégios, é uma merreca.
Quero destacar o absurdo “Orçamento Secreto'' que é descaradamente a arte de gastar o dinheiro público e ninguém saber para onde foi e ainda vai, de manipulação governamental.
As instituições representantes dos esculápios, conselhos, associações e sindicatos, em sua maioria, não estão nem aí. Os míseros reajustes “obrigatórios” por uma dessas leis fictícias, esquece, nunca são cumpridos. Esse quesito raramente é debatido. E durante esse pandemônio, depois de morrer, ressuscitar, contaminar-se, os profissionais da medicina que salvaram milhares de doentes recebem uma salva de palmas dos parentes e nada mais.
Lembram do recente episódio no Amazonas? Só para citar um dos absurdos e da cotidiana indiferença, onde a população e os profissionais da saúde morreram asfixiados por falta de oxigênio, displicentemente ignorado pelas autoridades. A senhora consegue imaginar-se uma semana sem ar? Pois é. Aliás, as filas por atendimento no serviço público sempre fizeram parte do lúgubre cenário do país. Nem sequer existe um preço reduzido de medicamentos ou internações para médicos.
Respeitável público. Podemos e devemos ter nossas preferências ideológicas e nos identificarmos com um ou outro candidato às coroas de ouro, mas o âmago das questões não tem mudado.
O acesso às instâncias que decidem essas coisas, nós outros nem chegamos perto. Toda reivindicação do bravo povo brasileiro, seja de onde for, tem que passar por tantas instâncias, que se perdem. Para cada lei – explicada em aramaico – existe outra em sentido igual e contrário já que os mandatários podem mudar de ideia, e frequentemente o fazem, segundo seus próprios interesses. Esse é o poder total, é ou não é?
Enfim, ingrato cão, não se discute ideias nem projetos entre os eleitores.
Um dia já foi assim. Eu teria votado em Martha Rocha, Miss Brasil, que por duas polegadas a mais, logo nos quadris, deixou de ser Miss Universo, isso em 1954.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, canta a última estrofe da marchinha de apoio à baiana: “Tem dó, tem dó seu juiz”.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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