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Médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio

Cada um merece o Oscar que lhe é devido para chamar de seu

Morro de inveja e indignação. Olha que tenho tentado. Escrevi livros, sou jornalista desde criancinha, tenho títulos acadêmicos, sou músico de carteirinha e tudo

Publicado em 11/02/2020 às 04h00
Atualizado em 11/02/2020 às 09h55
Estatueta do Oscar. Crédito: Divulgação
Estatueta do Oscar. Crédito: Divulgação

Agora que já foram coroadas as estrelas do cinema mundial, vou falar o que penso, sem o risco de influenciar os estranhos eleitores desse pleito de Hollywood. Quem são eles, os juízes? Devo lançar uma calúnia heroica: acho que eles não assistiram a um único filme sequer.

Nós, o respeitável público, que rimos, choramos, amamos, odiamos, memorizamos, ralamos em salas de exibição, nem sempre confortáveis, com projeções nem sempre nítidas, não votamos. Alguém vai achar que falo isso por despeito já que, por mais que tente, nunca fui chamado para nenhuma academia disso ou daquilo. Morro de inveja e indignação. Olha que tenho tentado.

Escrevi livros, sou jornalista desde criancinha, tenho títulos acadêmicos, sou músico de carteirinha e tudo. Mas que nada, os eleitores passam por mim e não olham. Consolo-me inventando uma desculpa esfarrapada: a de que eles, os acadêmicos disso e daquilo, preferem uns e outros. Mas é puro despeito da minha parte, aliás.

Assim, tendo a achar que é a mesma coisa nas escolhas dos agraciados com a estatueta mais badalada do mundo do cinema, o Oscar de melhor disso, melhor daquilo. Ninguém me pergunta nada, senão teria sugerido aos organizadores da porfia entre heróis e heroínas da tela, que criassem duas categorias: os Injustiçados e os Eternos. Injustiçados são injustiçados, eu que o diga.

O Oscar para o mais Eterno seria uma estátua inteira, tamanho natural, na praça principal de Manhattan. Então. Quais seriam os critérios para a escolha democrática e popular para essas duas categorias? A contagiante emoção que ligasse o ator ou a atriz ao cinema, de modo que quando fossem citados ou vistos impregnasse a imaginação e o coração dos espectadores.

Woody Allen, por exemplo. Agorinha mesmo assisti pelo zap a uma entrevista na qual o ator, diretor e tudo mais que existe nessa área, respondia perguntas de um repórter. Este faz uma imensa introdução e refere-se à tendência do cineasta em brincar ou sofrer com o tema “morte”. E conclui perguntando a Allen: “O que o senhor pensa sobre isso hoje em dia?”. “A mesma coisa, sou contra”, responde o entrevistado. E assim por diante. Pronto. Uma frase e vem toda a obra dele na minha cabeça. Aliás, como torcedor teria indicado, desta vez, Brad Pitt como melhor ator no papel de dublê, no filme “Era uma vez em Hollywood”. Entenderam? Se não, posso desenhar. Sou um eleitor de responsa.

Posso provar. Consultem o cine poeira Santa Alice, em Rocha Miranda, destemido subúrbio do Rio. Todo sábado, assistia a três filmes direto, e gostava. Adorava. O Super-Homem em preto e branco nem sabia voar e eu já estava lá. No dia seguinte, passavam os seriados, que eram como novelas, continuavam sempre na semana seguinte. Que delícia.

Nós, os verdadeiros eleitores da tela, jamais esqueceríamos Kirk Douglas, que só ganhou um Oscar. Acreditem, ele desembainhava a espada e sozinho matava gigantes, gladiadores, além de arranjar tempo para fabricar Michael Douglas.

Meu pulguento cão Dorian Gray late ordenando-me parar.

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