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Paulo Bonates

Bolsonaro deveria ser Ofélio: só abre a boca quando tem certeza

O apelido é a derradeira perfeição da arte popular. Qualquer pessoa ou coisa quando batizada veste a sua identidade que assim será para sempre

Publicado em 18 de Junho de 2019 às 01:51

Públicado em 

18 jun 2019 às 01:51
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Getúlio Vargas Crédito: Arquivo Nacional
O apelido é a derradeira perfeição da arte popular. Qualquer pessoa ou coisa quando batizada veste a sua identidade que assim será para sempre. Nada como o insubstituível método democrático de ação: a participação popular com a sua sempre sábia opinião.
Por exemplo, não custa consagrar, considerando o conjunto da obra, o Neymar, que ele seria melhor identificado como “Coalhada Junior”, que aliás é o tema central de algumas dissertações de mestrado, caso o governo não use a parca inteligência para cortar as fontes do saber.
O popular Getulio Vargas era conhecido como “Pai do Povo”. Não se sabe se por sua popularidade inquestionável entre a plebe rude ou por sua popularidade com as lindas vedetes dos palcos nacionais da época. Um especialista amigo, de fino trato com essas delicadas modalidades de metáfora, sugeriu ao lustroso e atual presidente da República o codinome de “Ofélio – só abre a boca quando tem certeza”.
Quanto ao Lula, nas pesquisas em botequins, nas rodas de samba, e em todos os cantões do país, o apelido vencedor foi “Silva”, seu verdadeiro nome, o resto é mentira. Quanto à laboriosa massa que vinha mamando nas tetas do PT, coube a honrosa denominação de “Boquinhas”. Para a ex-presidente Dilma, os sádicos pesquisados foram buscar na língua inglesa: “Nobody”. Não sei de onde esse povo foi tirar isso. Ao Temer, coube sua tradução: ”Ninguém”.
Quanto ao já insuportável jogo de palavras, o termo reforma da Previdência aparece com uma nova proposta: “reforma da Presidência”. Trust, o triste, poderia acumular as duas presidências como os Estados Unidos já fazem há muito tempo. Só assim fechariam todos os botequins mexicanos e suas panquecas assassinas.
“Os trapalhões” foi reservado para a Seleção Brasileira de futebol. Ganhar de seletas equipes como a da Bolívia e similares, até o Recreio Futebol e Areia, da Praia do Suá, faria melhor. E de graça.
Para as duplas sertanejo-caipiras que enchem o saco do povo brasileiro o grupo entrevistado escolheu uma denominação genérica e prática: “Fulano e Sicrano”. As obras seculares da Avenida Leitão da Silva receberam a denominação de “Chegar a Veneza”.
Quanto à ideia de armar quem não sabe atirar, e mandar para o campo de concentração em que se transformaram as ruas das cidades, deram o nome de “Solução Final”.
Escrevo isso no nome e no interesse tupiniquim. Não me confundam com o náufrago espanhol que ao ser resgatado perguntou aos nativos: “Há governo aqui?”. Diante da resposta positiva, quase morrendo, balbuciou: “Soy contra”!

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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