No percurso que faço algumas vezes de madrugada à cata de trechos e frases que adoro, acho o pequenino “La philo em 400 citations” que comprei na livraria Gibert Jeune, a amarelinha de San Michel, em Paris, só com frases célebres. Que inveja, eu que não tenho nenhuma frase minha, a não ser em minha defesa pessoal, uma explicação: “Só bebo para tornar meus amigos mais interessantes”. E é só.
Dúvidas pairam neste grotesco momento, nesta inverossímil carnificina no Oriente Médio, onde o Conselho de Segurança da ONU, cuja maioria não tem direito a voto verdadeiramente. Muito pelo contrário. Dá pra levar a sério?
Então.
Frases célebres são cheias de encantamento, nem sempre geniais, ou não entendi direito. Esta última hipótese é mais provável. Cláudio Bueno Rocha, editor jornalista, repetia que notícia é algo que se quer ou precisa esconder, o resto é publicidade.
Vim saber, passando os olhos no livreto, que Gilles Deleuze faz uma incomum comparação entre o esquizofrênico e o capitalismo: “O esquizofrênico encontra-se no limite do capitalismo: tende a se desenvolver, subproduzir, como um predador, um anjo exterminador”.
Albert Camus opina: “A ciência explica como funciona, mas não o que é”. Arthur Schopenhauer acha que “o homem é um animal metafísico”.
Jean-Paul Sartre escreveu que “o existencialismo precede, não passa de um modelo de humanismo”. Entendeu, a senhora?
Sempre que lembro de Fernando Pessoa e um de seus versos, “navegar é preciso, viver não é preciso”, cantado por Caetano Veloso - lembro da malícia e do gênio do escritor português: como assim viver não é preciso? Não é necessário? “Preciso”, aqui, vem de exatidão.
Platão suavizava: “Filosofar é aprender a morrer docemente”. Bacana não é? Digo eu.
“A vaidade é uma espécie de doença que se prende e se deita no seu pensamento”, escreveu Paul Valéry.
Tirei do livreto essa de Gaston Bachelard: “O homem - é sim - uma criação do desejo, e não da necessidade”.
Friedrich Nietzsche, sugere: “Tu deves ser o que tu és. Faça somente o que pode fazer. Deves, sem cessar, ser zeloso do que tu és, o escultor de ti mesmo”.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, gosta de Pascal: “a justiça sem o exercício não funciona, e a força sem a justiça é violência”.