No final de 2018, o então juiz Sergio Moro deixou sua carreira na Justiça federal para integrar a equipe do governo Bolsonaro. Moro assumiu o Ministério da Justiça sob a condição que teria “carta branca” no combate à corrupção e ao crime organizado. Essa condição foi publicamente aceita pelo presidente.
O histórico de atuação no combate à corrupção e o destaque de Sergio Moro na Operação Lava Jato reservaram notoriedade para ele assumir o cargo. Profissionais da segurança pública e especialistas criaram expectativas com o novo ministro.
Moro sofreu uma significativa derrota quando Bolsonaro promoveu a transferência do Coaf para o Ministério da Economia. Essa alteração dificultou as investigações sobre movimentações bancárias suspeitas e, consequentemente, gerou adversidades no combate à corrupção.
Mesmo com esse tipo de desencontro, Moro deu sequência à sua gestão. Potencializando o trabalho da equipe técnica do ministério, o programa Em Frente, Brasil foi lançado em agosto de 2019. Partiu de experiências exitosas de políticas de segurança pública para estruturar um projeto-piloto em cinco cidades, trazendo as frentes de repressão qualificada e prevenção social.
As ações do programa até o momento se resumiram ao envio de reforços policiais via Força Nacional. Esse incremento tem contribuído para ampliar o trabalho integrado das agências de segurança pública. O Em Frente, Brasil vem recebendo críticas da sociedade e de especialistas por apresentar uma escala espacial de atuação reduzida e por não ter avançado na vertente da prevenção social.
Outra ação da gestão de Moro que ganhou destaque foi o pacote anticrime. Apesar de ter sofrido uma série de alterações, o pacote, em certa medida, favoreceu um maior endurecimento das sanções relativas aos crimes mais graves.
Com a saída de Moro, programas e ações com seu DNA no Ministério da Justiça tendem ser desmantelados e descontinuados. Ademais, o fator que motivou a saída do ministro abre uma ferida no combate à corrupção.
Quando anunciou a demissão, por conta da exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Moro deixou claro que o presidente “queria ter uma pessoa do contato pessoal dele [na PF], que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, que ele pudesse colher relatórios de inteligência, seja diretor, seja superintendente”. Isso caracteriza uma clara tentativa de interferência política na PF, uma instituição basilar para o combate à corrupção, para a democracia e para os preceitos republicanos.