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Abertura de diálogo

Saída de Moro pode aproximar Judiciário e Bolsonaro, dizem ministros

Ministros de cortes superiores se queixavam de isolamento do ex-ministro da Justiça. Para eles, substituto de Moro trabalhará mais afinado com STF e CNJ

Publicado em 01 de Maio de 2020 às 09:39

Redação de A Gazeta

Publicado em 

01 mai 2020 às 09:39
André Mendonça, ex-AGU e ministro da Justiça do governo Bolsonaro
André Mendonça, ex-AGU e ministro da Justiça do governo Bolsonaro: ministros de cortes superiores acreditam em reaproximação Crédito: JOSE DIAS/PR
As mudanças promovidas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Ministério da Justiça e na AGU (Advocacia-Geral da União) foram bem recebidas pelas cortes superiores, em Brasília. Agradou ao Judiciário, em especial, a troca de Sergio Moro por André Mendonça na Justiça. Ministros veem na substituição a possibilidade de alinhar ações e ampliar as conversas com o governo.
Integrantes do Supremo dizem acreditar, por exemplo, que o Ministério da Justiça e Segurança Pública, sob novo comando, trabalhará mais afinado com o Supremo e com o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em relação ao combate à violência e à política carcerária.
Havia uma queixa quase que unânime de que o ex-juiz da Operação Lava Jato manteve ao longo de quase um ano e meio uma postura de isolamento.
Os ministros das cortes superiores se queixavam da falta de um canal na Justiça com o Palácio do Planalto. Magistrados de Brasília reclamavam que Moro não cumpria o papel habitual de ministro da Justiça, que tradicionalmente mantém diálogo com ministros e a PGR (Procuradoria-Geral da República).
Não passava por ele, por exemplo, a lista de indicações para os tribunais regionais federais das cinco regiões do país.
O apreço pela escolha de Mendonça pôde ser percebido na cerimônia desta quarta-feira (29) no Palácio do Planalto, durante a qual Mendonça e José Levi tomaram posse, respectivamente, na Justiça e na AGU.
O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, e o ministro Gilmar Mendes fizeram questão de antecipar seus votos na sessão desta quarta para participar da solenidade. Tanto Levi quanto Mendonça já mantinham relação próxima com ministros do STF antes de chegarem ao primeiro escalão do governo federal.
Advogado público de carreira, Mendonça foi assessor de Toffoli quando o atual integrante do STF era advogado-geral da União no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
José Levi, por sua vez, transita entre o meio jurídico e político com facilidade. Muito próximo de Gilmar, ele recebeu o apoio do ministro para ser secretário-executivo do Ministério da Justiça no governo Michel Temer (MDB).
Agora, mais uma vez, contou com a ajuda do ministro para ser alçado à chefia da AGU. A relação entre os dois é antiga. Em 2010, ele publicou um texto em que fez elogios ao desempenho de Gilmar no STF e disse que era possível "identificar uma corte Gilmar Mendes".

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