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Democracia

Dia 8 de janeiro: ainda estamos aqui

Os horrores do regime militar e os ataques de 8 de janeiro precisam ser lembrados para que tragédias do passado e tentativas de ruptura democrática não se repitam

Publicado em 08 de Janeiro de 2025 às 00:30

Públicado em 

08 jan 2025 às 00:30
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

Atos antidemocráticos em Brasília, em 8 de janeiro
Atos antidemocráticos em Brasília, em 8 de janeiro Crédito: Joedson Alves/Agência Brasil
O filme "Ainda Estou Aqui", dirigido por Walter Salles, que conta a história do ex-deputado Rubens Paiva, interpretado por Selton Mello, e sua esposa Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres, lança um olhar poderoso sobre os horrores do autoritarismo durante a regime militar brasileiro. Eunice, ao enfrentar o estado autoritário em busca de respostas sobre o paradeiro de seu marido desaparecido, personifica a resistência e a busca por justiça. O filme se baseia no livro de mesmo nome, escrito por Marcelo Rubens Paiva, filho de Rubens Paiva.
A atuação de Fernanda Torres, orgulho nacional, premiada com o Globo de Ouro de melhor atriz em filme de drama, destaca a força emocional e a coragem diante da repressão. Eunice Paiva dedicou sua vida à luta por justiça, não apenas em favor de sua família, mas também em nome dos familiares de outros presos políticos desaparecidos durante o regime. Somente em 2014, com o trabalho da Comissão Nacional da Verdade, ela obteve respostas sobre o destino de seu marido, Rubens Paiva, que desapareceu, foi torturado de forma extremamente violenta e assassinado em janeiro de 1971.
Depois de cinco décadas, aquele período de perseguição, covardia e violência, que manchou a história do país, encontrou conexão nas mentes doentias daqueles que defenderam práticas autoritárias e externalizaram seus desejos obscuros por meio dos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Outra data registrada no mês de janeiro que gera muita vergonha para os brasileiros, pois marca quando grupos extremistas, inconformados com o resultado das eleições presidenciais de 2022, atacaram as sedes dos Três Poderes em Brasília.
Os ataques foram gestados ao longo de meses, com agressões sistemáticas às instituições democráticas e à imprensa, promovendo a desinformação e incentivando atos violentos. O vandalismo causou prejuízos milionário aos cofres públicos, além de danos irreparáveis ao patrimônio histórico e à imagem internacional do Brasil.
Assim como no caso de Eunice Paiva e sua família, a resistência, perseverança e busca pela justiça contribuíram para as instituições democráticas e sociedade, depois do tensionamento gerado, fortalecessem os laços em defesa do Estado Democrático de Direito, na reconstrução das sedes dos Três Poderes, na investigação e prisão dos responsáveis e financiadores dos ataques antidemocráticos. Essa cruzada ainda está em curso e revelando o envolvimento de “peixes grandes” que conspiraram, arquitetaram e financiaram os ataques contra a democracia naquele 8 de janeiro de 2023.
O filme e os eventos recentes reafirmam a necessidade de manter viva a memória histórica e o compromisso com a verdade. Os horrores do regime militar e os ataques de 8 de janeiro precisam ser lembrados para que tragédias do passado e tentativas de ruptura democrática não se repitam. A democracia é um bem a ser constantemente defendido, uma conquista do povo brasileiro. Seguimos vigilantes nessa defesa, pois ainda estamos aqui.

Pablo Lira

Pos-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve as quartas

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