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Brasil também

As oportunidades que não são miragens para a economia do ES

Claramente nos encontramos diante de condições e conjunção de fatores e movimentos que nos facultam e nos qualificam a ingressar em novas frentes de mercados

Publicado em 07 de Outubro de 2023 às 02:00

Públicado em 

07 out 2023 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman Orlando Caliman
No meu último artigo chamei a atenção para novas frentes de oportunidades de desenvolvimento que podem estar se abrindo para o Brasil e Espírito Santo, mais especificamente em mercados globais. A primeira delas, “nearshoring”, decorre do processo de reacomodações e realocações de grandes, diversificadas e longas cadeias produtivas, que se encontra em curso. E a outra, “greenshoring”, movimento que já se pode tomar como compulsório, de se buscar bases de suprimentos de produtos menos agressivos, neutros ou de preferência benéficos ao meio ambiente.
Tanto para o Brasil, quanto para o Espírito Santo, tais oportunidades não devem ser vistas como distantes do realizável, algo como apenas uma miragem. Primeiramente porque claramente nos encontramos diante de condições e conjunção de fatores e movimentos que nos facultam e nos qualificam a ingressar nessas novas frentes de mercados.
Reportando-me ao Espírito Santo, antevejo cenários favoráveis nas duas frentes: na economia verde e na proximidade de grandes mercados. Que para o Brasil serviria de polo ou “hub” de conexão em ambas as frentes. Como já afirmei no artigo anterior, formando uma ampla, diversificada e complexa plataforma de oferta de bens e serviços, compreendendo transformação, portanto agregação de valor, e simultaneamente de demanda, de insumos e produtos.
A bem da verdade, o Espírito Santo apresenta condições favoráveis nessas duas direções. Algumas já bem consolidadas como ferrovia, portos e boa base industrial que já opera em escala global, e um agronegócio que avança na sustentabilidade. Outras ainda com certas deficiências, como rodovias. E de ferrovia, que além da extensão até o Rio de Janeiro, necessita adequações para o transporte de carga conteinerizada. Também necessita de uma base portuária mais diversificada, flexível e de múltiplo uso. No último caso, já estamos a caminho de boa parte da solução com a instalação do porto da Imetame em Aracruz.
Tanto no nearshoring quanto no greenshoring também já dispomos de potencialidades e ancoragens. A começar pelo agronegócio sustentável, com atenções para o café, pimenta-do-reino, gengibre, mamão, carne de frango, ovos e derivados, pimenta-rosa e outros produtos que poderão vir.
Temos também ancoragens importantes e inovadoras, representadas em grandes empreendimentos e players globais, como Suzano, na captura de carbono e novos produtos a partir da árvore plantada; na ArcelorMittal, com o aço verde e hidrogênio verde (projeto na planta de Pecém no Ceará); baterias a base de ferro (em parceria recente em startup nos EUA); e Vale com o briquete verde.
Nada que possa nos surpreender, inclusive em ousadia.

Orlando Caliman

Orlando Caliman Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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