Se existe algo que podemos dizer que é praticamente imutável na economia do Espírito Santo é o fato de, quase que compulsoriamente, para crescer e se desenvolver de forma sustentável precisar sempre estar com os olhares voltados para fora dos seus limites territoriais.
É a forma inexorável para se ganhar espaços e expandir mercados. Mas que, para tanto, internamente precisa gerar condições que lhe possibilitem produtos mais competitivos e abertos a novas janelas de oportunidades. Isso, por várias razões, mas em destaque pela escala se seu mercado interno.
Então, pensar e projetar caminhos que façam com que a sua economia volte a crescer a taxas mais elevadas do que aquelas observadas nos últimos dez anos, e de forma mais sustentada, ou seja, sem oscilações significativas ou surpresas, passa necessariamente por olhares capazes de perscrutar e identificar, com graus elevados de assertividade, janelas de oportunidades para produtos que já lhe são próprios, mas principalmente para novos e até ainda não totalmente conhecidos.
Sempre visualizei e defendi a tese de que o futuro da nossa economia implica em transformá-la em verdadeira plataforma de oferta, a mais diversificada e complexa alcançável, mas que funcione também como plataforma de demanda, de preferência por insumos e produtos transformáveis.
Teríamos aqui, assim, uma eficiente plataforma de transformação com conexões múltiplas e diversificadas com o mundo e com a economia nacional. Aliás, a bem da verdade, essa foi a tese incansavelmente defendida pelo grande estrategista Eliezer Batista.
Se é essa a tese, a meu ver não importa tanto dizermos ao mundo o que temos a oferecer ou o que podemos produzir, e aqui me refiro ao mundo exterior e ao nacional, mas sim, antes de tudo, colocar olhares investigativos em busca do que esses “mundos” estão a demandar e em quais condições.
Olhando para o mundo, num sentido amplo, e já tendo como pano de fundo Brasil e especificamente o Espírito Santo, vamos ver que este, por exemplo, vem se movimentando no entorno de alguns grandes eixos de mudanças. Sem esgotá-los, é bom que se diga. E isso do ponto de vista da economia.
O primeiro deles diz respeito à crescente urgência de se ir na direção de uma economia de baixo carbono, em razão da aceleração das mudanças climáticas. O outro congrega movimentos que buscam trazer para mais perto dos centros de consumo parcelas de grandes cadeias de suprimento, numa reacomodação das cadeias globais de produção. Um movimento reativo às inseguranças derivadas da geopolítica e geoeconomia.
No linguajar de estratégia mercadológica global, o primeiro está recebendo o nome de “GreenShoring”, que numa tradução mais livre significa base de suprimento de produtos da economia verde, ou seja, de baixo carbono. A outra, “NearShoring”, que reporta a bases de suprimentos mais próximas. No segundo caso é como se colocam, por exemplo, México, Vietnã e Índia. No primeiro, mas também associado ao segundo caso, embora em pequena escala, aparece Costa Rica. Infelizmente o Brasil coloca-se atrás nos dois casos.
Mesmo assim temos aí duas grandes janelas de oportunidades que são, sem dúvida, apropriadas para o Brasil. Bem na trilha do que já se convencionou chamar de neoindustrialização, da bioeconomia, ou seja, da economia de baixo carbono. Janelas que bem podem ser também pensadas, perscrutadas e acessadas pelo Espírito Santo.