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Mariana Reis é administradora de empresas e educadora física. É pós-graduada em Gestão Estratégica com Pessoas e em Prescrição do Exercício Físico para Saúde. Atua como consultora em acessibilidade e gestora na construção e efetivação das políticas públicas para a pessoa com deficiência em Vitória

Violência contra mulher: esse tempo precisa acabar

43% das mulheres em situação de violência sofrem agressões diariamente e em média, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada

Publicado em 26/11/2019 às 10h00
Atualizado em 30/03/2020 às 13h58
Una-se pelo fim da violência contra as mulheres. Crédito: Divulgação/ Mariana Reis
Una-se pelo fim da violência contra as mulheres. Crédito: Divulgação/ Mariana Reis

Em 1999, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas instituiu 25 de novembro como o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher, em homenagem às irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa, conhecidas como “Las Mariposas”, que foram brutalmente assassinadas em 1960 pelo ditador Rafael Leônidas Trujillo, da República Dominicana. As três lutavam contra a ditadura em seu país. Portanto, convido você que lê esta coluna a refletir junto comigo sobre a importância desta data para todas as mulheres do mundo. Só no nosso país, 43% das mulheres em situação de violência sofrem agressões diariamente e em média, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada.

Coragem para falar

O assunto é muito sério, um tanto quanto indigesto e, por isso, até que se incorpore em nosso cotidiano a consciência pelo fim de todo e qualquer tipo de violência contra a mulher, voltarei com ele. A violência contra mulheres exige de nós – homens e mulheres – coragem para debater, informar e claro, denunciar. Essa situação é ainda pior quando envolve mulheres com alguma deficiência. Você sabia que nós, mulheres com deficiência no Brasil, representamos 26,5% da população? Ou seja, em números, somos mais de 25 milhões de mulheres, mais do que a população do estado de Minas Gerais. E frequentemente somos vistas em nossa condição de deficiência, quase sempre dissociadas da nossa condição de mulher. É como se a deficiência se sobrepusesse ao gênero, como se ser mulher entrasse como pormenor no nosso “corpo diferente”.

Vulnerabilidade x Deficiência

Fui pesquisar sobre o tema e só nos anos de 2014 a 2018, foram registrados pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mais de 15 mil atendimentos a pessoa com deficiência. Por ser a cidade que estatisticamente mostra o maior índice de vítimas dos crimes sexuais, e na maioria deles contra mulheres com deficiência intelectual, São Paulo foi a primeira capital a contar com uma delegacia especializada no atendimento à pessoa com deficiência.

Apesar dos números não serem exatos, muito provavelmente pela dificuldade e também o medo da mulher com deficiência denunciar os abusos e maus tratos (falta de acesso, de comunicação e de empatia, para citar algumas dificuldades), o Programa de Enfrentamento à Violência contra a Mulher Brasileira com Deficiência ganhou destaque na décima Conferência dos Estados Signatários, incluindo o Brasil, da Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência da ONU. Foi mostrada então, a experiência do Plano de Ação Nacional de Prevenção e Combate à Violência, a partir da experiência no estado de São Paulo.

'Mulher boa é aquela pra casar'

Sabemos que a violência baseada no gênero tem raízes históricas na falta de igualdade entre homens e mulheres, e essa violência ocorre com frequência nos lares, dentro do seio familiar. E esses abusos se manifestam através da exploração sexual, recusa de informações ou educação sexual, como o controle de natalidade, sexo não desejado, agressões, esterilização forçada, a exploração financeira e a falta de empoderamento. A sociedade não pode mais tolerar a violência baseada no gênero, nem aquelas mais sutis, que parecem inofensivas, mas que nos destroem enquanto mulher.

Una-se

A campanha deste ano tem a hashtag #MeEscutemTambém espalhada pelas redes sociais e pede para que nos unamos a fim de não permitirmos abusos e todos esses atos violentos praticados contra a mulher com deficiência ou sem deficiência, dentro de casa, no trabalho, nos transportes, nas rodas de conversas, nas academias ou em qualquer lugar.

Eu não vou me cansar até que nossas atitudes, coragem e fala sejam percebidas e ouvidas na defesa das mulheres vítimas de violência e assédio. Eu vou gritar para que a minha voz e a sua também possam reverberar pelo mundo afora nos encorajando sobre tudo que diz respeito a nossas vidas, destinos e escolhas. Não se cale. Não aceite. Una-se. Denuncie. Que a morte cruel e injusta das irmãs Mirabal possa servir de alerta e que ajude a nos lembrar diariamente da importância de mudar essa triste realidade.

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