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É economista e cronista. Neste espaço, aos sábados, dedica-se a crônicas que dialogam com a memória recente do Espírito Santo, da cultura à política, sem deixar de alfinetar os acontecimentos da atualidade locais e nacionais

Mandrake, licença! E todos os chatos desapareceriam...

Os chatos têm toda a pinta de ser a oitava praga do Egito. Todos eles: os chatos-candidatos, os sem noção – aqueles que teimam em alugar nossos ouvidos no meio da rua, na fila do supermercado

Publicado em 07/11/2020 às 09h00
Coluna Marcos Alencar
Existem chatos de todos os tipos, difícil é se livrar deles. Crédito: Amarildo

Já imaginou se nós tivéssemos, de fato, este poder? Se com um mágico comando infantil a gente pudesse se livrar, per omnia secula seculorum, desta imensa turma de candidatos que se dizem capazes de transformar o mundo num paraíso? Esta turma que tanta nos fazer de bestas com promessas do tipo “Filas na saúde? Nunca mais! ”.

E tome “mais segurança, mais educação...”, “vou investir na cultura...”, “vou fazer diferente...”, “é hora de mudanças”. E a campeã imbatível “vou atuar no social! ”. Essa me faz pensar que vem por aí um grande baile na Praça Oito. Traje: passeio completo. A verdade é que às vezes tenho vontade de fazer um chá de bebê. Eles pensam que eu sou criança.

Felizmente esta temporada pré-eleitoral já está chegando ao fim. Mas eles voltam. Ah, se voltam... A grande maioria perde as eleições, mas não perde a cisma. Já disseram que os chatos são eternos. Eternos e incansáveis.

Os chatos têm toda a pinta de ser a oitava praga do Egito. Todos eles: os chatos-candidatos, os sem noção – aqueles que teimam em alugar nossos ouvidos no meio da rua, na fila do supermercado. Aqueles que atacam até quando você toma uma água de coco na esquina. E por fim, o mais banal de todos, o chato-humorista. Especialistas em piadas sem graça. Haja paciência! São os únicos que conseguem repetir três vezes a mesma piada sem graça e ainda cutucar as costelas da gente morrendo de rir delas.

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Um certo cardeal me contou que existe no inferno um grupo de chatos dedicados a contar piadas, todas as noites, para os pecadores dormirem de ódio. À boca miúda esse castigo é chamado de “a vingança dos infernos”. No dia seguinte, as mesmas piadas são repetidas.

Sempre que o assunto é gente chata lembro-me de um episódio exemplar ocorrido com um conhecido comerciante da Capital. Uma figura muito querida, dono de uma casa comercial no Centro da cidade. Após perder o sócio, o seu trabalho dobrou. E os amigos começaram a reclamar de sua ausência nos encontros após o expediente em torno de chopes e muita conversa fiada.

Ele, que não perdia uma noitada, agora só conseguia deixar a loja muito tarde da noite. Até que um grande amigo, também comerciante, estava pra inaugurar uma nova filial e fechou questão. Ou ele dava um jeito de aparecer ou nunca mais se falariam. Nosso personagem se virou em dois e, mesmo muito atrasado, conseguiu chegar ao local. Assim que botou o pé na entrada da loja, um chato lhe agarrou pelo braço dizendo que precisava muito falar com ele. Enquanto isso muitos amigos já estavam indo embora.

Ele então pediu ao chato que passasse na loja dele na manhã seguinte, quando lhe daria toda atenção do mundo. Mas o chato não largava do seu pé: “É coisa rápida; é o seguinte...” e os amigos saindo da festa e o chato agarrado nele. Até que ele perdeu de vez a paciência. Segurou nos ombros do infeliz e foi enfático:

“Vamos combinar o seguinte: você fica aqui, entendeu? Eu é que vou pra pqp!!”.

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