Os tempos da juventude me remetem à pequena e calma Vitória da década de 1950, quando poucos eram os automóveis em circulação, as pessoas se deslocavam principalmente a pé ou de bonde e a Capital se limitava basicamente ao perímetro da ilha.
Naquela época as principais atividades institucionais funcionavam na Cidade Alta, área nobre da cidade, onde foram construídas a Catedral Metropolitana, várias igrejas históricas e estabelecidas as sedes dos três poderes.
Levo ao leitor essas recordações não só pelo fato de Vitória ser uma das mais antigas capitais do país (fundada em 1551), mas, sobretudo, por reunir um importante patrimônio histórico e cultural.
Ao ver no centro da cidade edifícios da importância histórica do Palácio Anchieta – o mais antigo do Brasil entre as sedes de governos estaduais (A Gazeta. 22/07/2021) –, além de inúmeras outras construções de grande valor histórico, sinto-me motivado a defender a necessidade de um trabalho bem maior para a revitalização do antigo centro da Capital.
Esse é um desafio que precisa ser enfrentado. Para tanto, é preciso um projeto que abranja os aspectos urbanísticos, culturais e turísticos, além de um plano de ações para a sua concretização. E, mais adiante, uma bem elaborada divulgação nacional.
Muito embora já venham sendo adotadas algumas ações nesse sentido, é preciso que seja feito muito mais. O potencial cultural e turístico da nossa Capital, tão pouco valorizado, requer um trabalho bem articulado e um grande esforço político para ser bem aproveitado.
Sei que se trata de uma empreitada complexa e que envolve a superação de muitas dificuldades. Mas foram tantas as cidades no Brasil e no mundo que fizeram isso com sucesso, que os exemplos poderão servir de boas referências para o enfrentamento desse desafio.
O Centro de Vitória está hoje muito feio. Vemos armazéns do porto abandonados (alguns) quando boa parte daquela área poderia ser transformada numa grande atração turística, como Puerto Madero em Buenos Aires e outras áreas portuárias ociosas aproveitadas turisticamente mundo afora. É preciso tirar proveito do potencial turístico da baía de Vitória (tivemos uma amostra num evento da Casa Cor).
Necessário, também, adequações no sistema viário do Centro para melhor atender ao turismo e a sua integração com o futuro aquaviário; como também a destinação, reforma e ocupação dos vários prédios abandonados que tanto enfeiam a Capital – medidas que exigem um grande esforço político para serem concretizadas.