Em artigo publicado no mês passado, levei ao leitor a minha avaliação acerca do impasse que está impedindo a duplicação da BR 101 Norte, uma obra que não avança principalmente pelo fato de a rodovia ter um trecho de 23 km que passa pela reserva de Sooretama.
Volto ao assunto por considerá-lo de suma importância para o nosso Espírito Santo e para o país. Tanto para a redução do número de mortes nessa rodovia, como em razão do grande benefício que a duplicação trará para a nossa economia.
É triste vermos os imensos prejuízos causados ao país em decorrência da nossa burocracia paquidérmica, tão enraizada na cultura do setor público brasileiro. Burocracia aliada à falta de empenho de gestores públicos que, ao invés de se empenharem na busca de soluções, costumam capitular diante das dificuldades como a que está impedindo a duplicação dessa rodovia – um óbice que há muito já teria sido superado em qualquer país desenvolvido, sem as mazelas que permeiam a máquina pública do nosso país.
A propósito desse impasse, ante a recente cogitação pelo DNIT de construção de apenas uma terceira faixa em grande parte da rodovia, louvo a iniciativa deste jornal ao publicar editorial (“BR 101: não duplicar é inaceitável e provocará mais mortes”, em 2 de junho deste ano) condenando essa hipótese e defendendo a necessidade de duplicação de toda a rodovia.
Nesse complicado imbróglio institucional, ante a inviabilidade de um novo traçado rodoviário contornando a referida reserva, surge uma alternativa para superação desse impasse, com inteira preservação da reserva: duplicação do trecho de 23 km, através do aproveitamento dos espaços dos acostamentos para implantação de 4 faixas com 3,00m de largura (ao invés de 3,50m), com barreira rígida de separação das duas pistas, redução da velocidade, sinalização ostensiva e uma boa fiscalização.
Essa alternativa, na realidade, não é nenhuma novidade, mas sim uma solução muito adotada em todo o mundo para implantação de quatro faixas em trechos pequenos com limitação de largura (similar à Rodovia do Sol, trecho Itaparica/Jockei Clube).
Esta alternativa foi sugerida pelo ministro Tarcísio Gomes de Freitas, da Infraestrutura, numa de suas entrevistas recentes, quando afirmou: “É uma maluquice querer a construção de um contorno para a BR 101”.
Assim, para a superação desse impasse, é preciso que a bancada federal capixaba, de forma coesa, se empenhe ainda mais na cobrança dessa solução. Pelo menos, com essa sugestão do ministro, surge uma luz no fim desse túnel.