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Infraestrutura

BR 101 Norte: alternativa para superar impasse que já dura oito anos

Ante a inviabilidade de um novo traçado contornando a reserva ambiental, a saída é o aproveitamento dos espaços dos acostamentos para implantação de quatro faixas

Publicado em 05 de Julho de 2021 às 02:00

Públicado em 

05 jul 2021 às 02:00
Luiz Carlos Menezes

Colunista

Luiz Carlos Menezes

BR 101 corta a Reserva Biológica de Sooretama
BR 101 corta a Reserva Biológica de Sooretama Crédito: Vitor Jubini - 03/05/2019
Em artigo publicado no mês passado, levei ao leitor a minha avaliação acerca do impasse que está impedindo a duplicação da BR 101 Norte, uma obra que não avança principalmente pelo fato de a rodovia ter um trecho de 23 km que passa pela reserva de Sooretama.
Volto ao assunto por considerá-lo de suma importância para o nosso Espírito Santo e para o país. Tanto para a redução do número de mortes nessa rodovia, como em razão do grande benefício que a duplicação trará para a nossa economia.
É triste vermos os imensos prejuízos causados ao país em decorrência da nossa burocracia paquidérmica, tão enraizada na cultura do setor público brasileiro. Burocracia aliada à falta de empenho de gestores públicos que, ao invés de se empenharem na busca de soluções, costumam capitular diante das dificuldades como a que está impedindo a duplicação dessa rodovia – um óbice que há muito já teria sido superado em qualquer país desenvolvido, sem as mazelas que permeiam a máquina pública do nosso país.
A propósito desse impasse, ante a recente cogitação pelo DNIT de construção de apenas uma terceira faixa em grande parte da rodovia, louvo a iniciativa deste jornal ao publicar editorial (“BR 101: não duplicar é inaceitável e provocará mais mortes”, em 2 de junho deste ano) condenando essa hipótese e defendendo a necessidade de duplicação de toda a rodovia.
Nesse complicado imbróglio institucional, ante a inviabilidade de um novo traçado rodoviário contornando a referida reserva, surge uma alternativa para superação desse impasse, com inteira preservação da reserva: duplicação do trecho de 23 km, através do aproveitamento dos espaços dos acostamentos para implantação de 4 faixas com 3,00m de largura (ao invés de 3,50m), com barreira rígida de separação das duas pistas, redução da velocidade, sinalização ostensiva e uma boa fiscalização.
Essa alternativa, na realidade, não é nenhuma novidade, mas sim uma solução muito adotada em todo o mundo para implantação de quatro faixas em trechos pequenos com limitação de largura (similar à Rodovia do Sol, trecho Itaparica/Jockei Clube).
Esta alternativa foi sugerida pelo ministro Tarcísio Gomes de Freitas, da Infraestrutura, numa de suas entrevistas recentes, quando afirmou: “É uma maluquice querer a construção de um contorno para a BR 101”.
Assim, para a superação desse impasse, é preciso que a bancada federal capixaba, de forma coesa, se empenhe ainda mais na cobrança dessa solução. Pelo menos, com essa sugestão do ministro, surge uma luz no fim desse túnel.

Luiz Carlos Menezes

É engenheiro civil, empresário e conselheiro da Ademi-ES. Desenvolvimento urbano, tráfego e mobilidade urbana são os destaques deste espaço. Escreve quinzenalmente, às segundas

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