Muito embora o Brasil viva um momento muito delicado em razão da pandemia – em que a pesem negativamente as perdas de vidas, o rombo nas contas públicas e uma polarização política que tem prejudicado o combate à doença –, a economia parece estar se descolando desses problemas e vem apresentando indicadores auspiciosos (crescimento do PIB, exportação de commodities em alta, Bovespa no entorno dos 130 mil pontos, dólar em baixa etc.).
Nesse cenário, o setor imobiliário, que já vinha mostrando crescimento desde meados do ano passado, continua mantendo suas atividades num ritmo firme e crescente. Tanto com relação ao incremento das vendas, como também a novos lançamentos, mostrando que os empreendedores imobiliários estão confiantes numa retomada segura e duradoura.
De acordo com levantamentos da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), no comparativo de 1919 com 2020 houve um aumento nas vendas de imóveis de 9,8%, e no comparativo entre o quarto trimestre de 2020 e o primeiro de 2021, de 27,1%. Vale ainda observar que a retomada desse setor começou em plena pandemia (no segundo semestre de 2020) e até agora não perdeu o fôlego.
Vemos, neste novo cenário de juros baixos, o investimento em imóveis ter se tornado muito atrativo perante as aplicações financeiras, e ainda, como fator favorável, a percepção de que o trabalho remoto funciona (em razão do distanciamento social), o que despertou maior interesse pela compra de imóveis para segunda residência, aquecendo esse segmento do mercado.
E isso é muito bom para a economia! Como se sabe, o setor imobiliário, além da sua alta capacidade de geração de empregos diretos e indiretos, como também de alavancar uma gigantesca cadeia produtiva de insumos destinados à construção civil, impulsiona outros setores como a indústria do mobiliário, de eletrodomésticos e outros fornecedores de utilidades do lar.
Mesmo com os analistas econômicos prevendo a elevação da Selic (o Boletim Focus/Banco Central estima para o final do ano uma taxa da ordem de 5,5% ao ano), teremos um patamar bem aquém dos dois dígitos registrados entre novembro de 2013 e julho de 2017, que tanto prejudicou a economia do país.
Diante de um cenário promissor também para outros setores, cuja retomada se iniciou bem depois da indústria imobiliária, vemos essa indústria se revelar mais uma vez como o carro chefe da economia – que já começou a decolar.
Espera-se que esse nosso complicado quadro político não venha a atrapalhar.