Muitos dizem que o mundo será outro depois da pandemia. Certamente, uma força de expressão. Não chegaremos a tanto. Mas, afastado o exagero, não se contesta o fato de o isolamento social estar produzindo mudanças consideráveis nos hábitos da sociedade.
O setor produtivo, diante de um mercado consumidor impactado pela pandemia, ao constatar que boa parte destas mudanças veio para ficar – e muitas ainda virão –, vem se preparando para atender a um novo modelo de vida que está emergindo nesta crise.
A indústria imobiliária, diante desta súbita mudança de hábitos da sociedade, também está se ajustando a este novo cenário e adequando seus produtos às novas exigências do mercado.
A intensificação da prática do home office, da vídeo conferência e de outras formas de trabalho remoto, como também o crescimento do comércio digital, são mudanças que exigem sintonia do setor imobiliário com estes novos hábitos.
Vimos na quarentena, ante a clara percepção de que o trabalho remoto também pode ser exercido fora do domicílio permanente, um súbito aumento da procura por imóveis para segunda residência (terrenos, casas em condomínio etc.); ao que tudo indica uma sinalização de que muitas famílias poderão optar por morar fora dos centros urbanos, como já vem acontecendo nos Estados Unidos.
Nos próximos lançamentos imobiliários, espaços para home office, box delivery e outras modernidades serão requisitos indispensáveis.
Na esteira destas mudanças, a pandemia serviu ainda para incrementar o uso das ferramentas virtuais na comercialização de imóveis, como o corretor on-line, folder eletrônico, visita virtual ao apartamento decorado, e até mesmo fechamento de negócios on-line.
A indústria imobiliária, no entanto, pelas suas peculiaridades, não se movimenta rapidamente, haja vista que o prazo médio de realização de um empreendimento de porte médio é da ordem de cinco anos. São muitas as fases deste negócio, num ciclo que se inicia na prospecção e compra do terreno, segue com os projetos, aprovações, registro em cartório, marketing, vendas, financiamento, construção, até a entrega das unidades imobiliárias. Com efeito, é preciso um bom tempo para que todas estas mudanças sejam aprovadas e oferecidas ao mercado.
Neste novo cenário, como as famílias continuarão necessitando de moradias, as empresas de escritórios, os comerciantes de lojas, os viajantes de hotéis etc., a indústria imobiliária continuará exercendo o seu importante papel de produzir imóveis e gerar empregos.