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Novela

Rose de Freitas x Lelo Coimbra: o MDB no ES não está pacificado

A briga interna no partido parece não ter fim. Ex-deputado reclama que a ex-senadora não faz reunião com a sigla e não atrai novos quadros. "Faço lives", respondeu Rose. Ela ainda afirmou que vai anunciar novos filiados em breve

Publicado em 12 de Abril de 2023 às 11:56

Públicado em 

12 abr 2023 às 11:56
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Sabatina de A Gazeta com a senadora Rose de Freitas, candidata à reeleição
Rose de Freitas durante entrevista concedida a A Gazeta em 2022 Crédito: Fernando Madeira
Em março de 2021, a então senadora Rose de Freitas assumiu a presidência estadual do MDB. Era um órgão provisório, não um diretório eleito pelos filiados. Rose foi designada pela Executiva nacional do partido para a função. Ela é um um quadro histórico da sigla, havia passado dois anos no Podemos, ficou um tempo sem legenda e então retornou ao Movimento Democrático Brasileiro. 
"Eu vim para pacificar", afirmou Rose, ainda em março de 2021, à reportagem de A Gazeta. A pacificação era necessária, uma vez que o MDB vivia, no Espírito Santo, uma briga interna com direito a espetáculo público. Os ex-deputados Lelo Coimbra e Marcelino Fraga disputavam o comando da legenda por meio de eleições anuladas, ações judiciais e muito bate-boca.
Mais de dois anos anos depois, Marcelino já não está no partido, Lelo decidiu ficar e Rose segue como presidente de uma comissão provisória. Não houve a eleição do diretório estadual, o que, de acordo com a ex-senadora, deve ocorrer em agosto. 
E a pacificação? "É uma coisa que eu gostaria. Toda política não tem que ser de irmãozinhos, mas tem que ter diálogo. Você não constrói nada no conflito", respondeu a ex-senadora, na terça-feira (11). Rose estava no Palácio Anchieta, no evento em que o governador Renato Casagrande (PSB) recepcionou o ministro da Educação, Camilo Santana (PT).
Um dia antes, Lelo Coimbra entrou em contato com a coluna para apontar uma série de problemas no MDB. Para ele, a culpa é da ex-senadora.
A bem da verdade, a disputa fratricida e o enfraquecimento da sigla no Espírito Santo começou em 2018, quando o então governador Paulo Hartung saiu do partido e decidiu não disputar a reeleição. Os aliados dele, inclusive Lelo, ficaram meio perdidos.
A legenda, que chegou a ter sete deputados estaduais, um federal e uma senadora, minguou. Hoje, não tem representantes na Assembleia Legislativa, na bancada federal capixaba e nem na Câmara de Vitória.
Em 2022, Rose apoiou a reeleição de Casagrande e vice-versa. Ela, contudo, foi derrotada por Magno Malta (PL). 
Para Lelo, a atual líder estadual do partido apenas usou o MDB para ajudar o governador, ao não dar espaço para que o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon disputasse contra o socialista. Guerino foi candidato a chefiar o Executivo estadual, mas, para isso, teve que trocar de sigla, ingressou no PSD.
"A Rose não faz reuniões com o partido. Falou sobre pacificação (em 2021) e nunca mais falou nada", criticou o ex-deputado federal.
Lelo, após uma passagem pelo governo Jair Bolsonaro (PL), de 2019 a 2020, como secretário especial de Desenvolvimento Social, atua como médico e é secretário-geral da Fundação Ulysses Guimarães.
Em 2022, ele não disputou as eleições. Agora, defende que o MDB atraia quadros políticos de relevância para se reerguer. Mas avalia que Rose de Freitas não tem feito movimentos nesse sentido.
"Ela está em inércia", criticou. "O perfil da Rose não é de fazer política colegiada, de trabalhar por algo que não tenha apenas ela mesma como foco", complementou o ex-deputado.
Ele ainda disse que a idade (74 anos) e problemas de saúde dificultam a mobilidade da ex-parlamentar. "Ela só conversa com as pessoas na casa dela", observou.
Nesta terça, porém, Rose marcou presença no Palácio. No salão São Tiago lotado, recebeu cumprimentos de deputados estaduais e de outros políticos. Ao discursar, o governador a chamou de amiga.
A ex-senadora Rose de Freitas e as deputadas estaduais Janete de Sá e Iriny Lopes em evento no Palácio Anchieta
A ex-senadora Rose de Freitas e as deputadas estaduais Janete de Sá e Iriny Lopes Crédito: Lucas S. Costa/Ales
Lelo ainda apontou que as seguidas reconduções da senadora para comandar a comissão provisória estadual – nove, ao todo – e a falta de eleição de um diretório propriamente dito não são normais. Quem reconduz a senadora é sempre a Executiva nacional.
"Teve uma reunião realizada com os membros da comissão , apenas, em 1º dezembro de 2021. Reunião com os municípios e núcleos do partido, nada, nenhuma, em 27 meses", afirmou.
"Defendo a filiação do Audifax, é um excelente quadro. O Guerino (Zanon) poderia voltar (para o MDB). O prefeito de Linhares (Bruno Marianelli, filiado ao Republicanos), também. O Diego Libardi, que deve ser candidato a prefeito de Cachoeiro, é outro nome que poderíamos atrair. Poderíamos trazer o Serginho Meneguelli de volta. E até ter um diálogo com o prefeito de Vitória (Lorenzo Pazolini)", projetou Lelo Coimbra.
Ele sustenta que Rose de Freitas não faz movimentações nesse sentido. À coluna, a ex-senadora afirmou que não foi procurada recentemente por Audifax e que qualquer filiação tem que passar, primeiro, pelo crivo das lideranças locais do partido. 
Nos bastidores, a informação é que o ex-prefeito da Serra poderia substituir Rose no comando do MDB, se obtivesse sucesso na empreitada.
Mas emissários do governador Renato Casagrande, de acordo com uma fonte, trabalham para que isso não aconteça. Audifax disputou contra o socialista no ano passado e fez duras críticas à gestão estadual.
"LIVES"
"Eu gostaria que, antes de uma notícia, uma crítica no jornal, que houvesse um diálogo", alfinetou Rose, nesta terça-feira. Informada de que Lelo havia reclamado sobre o fato de ela não fazer reuniões, saiu-se com esta:
"Ele (Lelo) só reclama. É verdade, mas a gente faz live".
"Hoje, o MDB, a despeito de qualquer coisa que falem, está em todos os municípios"
Rose de Freitas - Ex-senadora 
Quanto a possíveis novas filiações ao MDB, Rose adiantou que o partido já tem novas aquisições, mas preferiu manter o suspense: "Vários se filiaram, mas só vamos fazer o anúncio com a vinda do Baleia Rossi (presidente nacional do MDB)".
A ex-senadora não confirma nem descarta a ideia de se candidatar a presidente estadual do MDB na convenção de agosto.
Lelo, tampouco. O ex-deputado federal contou apenas que vai participar do processo, de alguma forma. Ele também não crava que apoiaria Audifax para o posto, se este se filiasse ao partido.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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