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Após as eleições

Pazolini X Casagrande: a denúncia que foi sem nunca ter sido

PRG apontou falta de provas em denúncia feita pelo prefeito de Vitória sobre uma suposta fraude em licitação no governo do ES

Publicado em 29 de Novembro de 2022 às 09:33

Públicado em 

29 nov 2022 às 09:33
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Disputa política entre Renato Casagrande e Lorenzo Pazolini
Disputa política entre Renato Casagrande e Lorenzo Pazolini Crédito: Divulgação/Jansen Lube/PMV/Montagem Geraldo Neto
Em maio, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), discursava, durante a inauguração de uma escola em Jardim Camburi, quando resolveu fazer uma grave denúncia
Os fatos narrados, de acordo com ele, datavam de 2021, mas somente naquele momento o chefe do Executivo municipal decidiu falar. Pazolini contou que, em uma reunião "em um palácio, no centro da cidade, que leva o nome de uma autoridade cristã católica" ouviu uma proposta indecorosa.
O governo do estado faria investimentos em Vitória, mas somente se uma empresa específica ganhasse a licitação para a realização de obras. Ao que Pazolini, ainda segundo o próprio, respondeu: "Obrigado, autoridade X", e recusou a oferta.
Os subterfúgios quanto ao nome do Palácio Anchieta e da "autoridade" não deixavam dúvidas que se tratava de um petardo disparado contra a administração do governador Renato Casagrande (PSB), a quem Pazolini faz oposição.
Pouco mais de seis meses depois veio a resposta. A Procuradoria-Geral da República arquivou o caso
"Foi justa a decisão da Procuradoria-Geral da República de arquivar a acusação de fraude licitatória contra o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande", comemorou o advogado do socialista, Willer Tomaz.
"A denúncia, com fins claramente eleitoreiros, se baseava em fatos vagos e contraditórios, sem qualquer âncora na realidade ou prova minimamente plausível em processos dessa gravidade. Nesse sentido, o parecer do subprocurador-geral da República Carlos Frederico Santos apenas reconheceu a ausência de elementos que justificassem a própria existência da ação", afirmou, por meio de nota.
Pazolini nunca detalhou a denúncia. Aliás, depois do discurso apoteótico ele evitou tocar no assunto. Apresentou documentos à Polícia Federal, que encaminhou o caso à PGR. 
De acordo com o site "O Antagonista", o relato do prefeito é o de que, após uma reunião com Casagrande, um empresário o abordou e falou sobre o condicionamento da realização dos investimentos à licitação fraudulenta.
Isso é um pouco diferente do que Pazolini narrou no discurso de maio. Na ocasião, ele afirmou que a proposta foi feita em meio à reunião, ou seja, na presença da "autoridade X": "E eu bati na mesa e saí dessa reunião".
Eu não estava lá. Logo, não posso dizer o que houve ou não. 
Entretanto, não seria de surpreender se um empresário tentasse se arvorar mais importante do que realmente é e "jogasse um verde" para sondar a receptividade do prefeito a uma proposta nada republicana.
Então o arquivamento não quer dizer, necessariamente, que Pazolini "inventou" essa história toda.
Daí a implicar o próprio governador na conversa são outros quinhentos. Sem entrar no mérito de honestidade ou caráter de quem quer que seja, façamos uma análise apenas lógica: 
Por que o governador, sabendo que Pazolini é um opositor, arriscaria-se a fazer ou a endossar uma oferta desse tipo? Para dar, de bandeja, munição ao adversário? Não faz muito sentido.
O relato de Pazolini foi parar na PGR justamente por citar o governador. O foro, o local em que os governadores são processados e julgados, é o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na Corte, quem atua pelo Ministério Público é a Procuradoria-Geral da República.
ELEIÇÕES 2022
A situação foi ainda mais delicada por se tratar de ano eleitoral. Em dezembro de 2021 o Republicanos já havia lançado o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso, como pré-candidato ao governo do Espírito Santo, ou seja, concorrente direto de Casagrande.
Erick é aliado de Pazolini. Por fim, o presidente da Assembleia foi candidato ao Senado. Contou com a ajuda quase onipresente do prefeito de Vitória na campanha, mas ficou em terceiro lugar na corrida. 
O governador foi reeleito. Com o arquivamento da denúncia, agora é o socialista que pode usar isso como munição.
A nota do advogado já dá o tom, ao mencionar "denúncia com fins claramente eleitoreiros".
Espera-se que todo esse entrevero e outros mais não prejudiquem o que realmente interessa: as pessoas que moram em Vitória e não têm nada a ver com essas questiúnculas políticas.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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