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Eleições 2022

O que Audifax realmente perde ao ser abandonado por um aliado

Avante, do candidato ao Senado Nelson Junior, passou, informalmente, para o palanque de Renato Casagrande a cinco dias da eleição

Publicado em 27 de Setembro de 2022 às 19:32

Públicado em 

27 set 2022 às 19:32
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Sabatina Audifax
Candidato ao governo do Espírito Santo Audifax Barcelos (Rede) em entrevista para a Rádio CBN Vitória e para A Gazeta Crédito: Rodrigo Gavini
Candidato ao governo do Espírito Santo, o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede) já não conta, na prática, com o apoio do Avante, partido que segue na coligação do redista.
A cinco dias da eleição, o presidente estadual da legenda, Marcel Carone, afirmou, nesta terça-feira (27), que o ex-prefeito não cumpriu acordos com a sigla e foi uma "decepção". O Avante tem a candidatura avulsa de Nelson Junior ao Senado que, em tese, é apoiado por Audifax.
Marcel, entretanto, disse que quase não houve confecção de material casado, impresso ou digital, com os nomes e as fotos dos candidatos ao governo e ao Senado. E que Audifax prometeu estrutura para a campanha de Nelson e não entregou. 
No acordo, estava previsto também, segundo Marcel, que Nelson aparecesse em 15% do tempo de TV de Audifax, o que não aconteceu. O candidato ao Senado, sozinho, tem poucos segundos para se apresentar ao eleitor.
Agora, o Avante está, informalmente, com o governador Renato Casagrande (PSB), candidato à reeleição. "O time do meu coração é Renato Casagrande", confessou Marcel. Até junho, ele ocupava um cargo comissionado na Casa Civil do socialista.
Casagrande, entretanto, já tem candidata ao Senado, Rose de Freitas (MDB).
Marcel apenas garantiu que, com Audifax, Nelson não fica. O candidato, que é pastor e criador do movimento "Eu Escolhi Esperar", no entanto, não estava na coletiva de imprensa convocada pelo presidente estadual do partido. 
Casagrande, de acordo com pesquisa Ipec publicada no último dia 22, tem grandes chances de vencer já no primeiro turno. Alcançou 61% dos votos válidos, excluídos brancos, nulos e indecisos, naquela data. 
Audifax apareceu com 8%.
Assim, o Avante muda de palanque em um momento muito propício, digamos assim. 
O presidente estadual do partido garante que isso ocorreu apenas agora porque tentou, até o último momento, dialogar com Audifax, mas não foi possível, segundo ele.
O Avante é um partido nanico. Não tem nem um deputado estadual ou federal no Espírito Santo. A aliança entre a Rede e a sigla foi costurada pelo ex-prefeito da Serra com a direção nacional da legenda, passando por cima de Marcel, portanto.
E o que Audifax queria, conseguiu: nove segundos de tempo no horário eleitoral. Juntando Rede/PSol (partidos que estão federados), Solidariedade e Avante, o ex-prefeito obteve cerca de um minuto para fazer campanha na TV.
Casagrande tem cerca de seis minutos e domina a telinha. Nos bastidores, houve esforço do socialista e seus aliados para desidratar as alianças dos concorrentes.
O Pros, por exemplo, trocou de palanque diversas vezes, em meio a uma guerra política e judicial interna. Acabou nos braços do governador, desfalcando o horário eleitoral do candidato da Rede.
Ao fechar com Rose de Freitas, Casagrande garantiu o precioso tempo de TV do partido e evitou que ele fosse para outras paragens.
Mas essa disputa já se encerrou. Agora não dá mais e também, convenhamos, tampouco adiantaria. O horário eleitoral termina na próxima quinta-feira (29).
Assim, Audifax perde pouco, já que o Avante não tem muita densidade eleitoral no estado.
O episódio, entretanto, pode causar algum dissabor, uma vez que Marcel saiu distribuindo petardos contra ele. "And the Oscar goes to ... (E o Oscar vai para ...)", afirmou o presidente estadual do Avante para ilustrar que o ex-prefeito da Serra promoveu "um teatro" e que não tem "palavra".
E CASAGRANDE?
Bem, Marcel já demonstrou que está disposto a pedir votos para o socialista na reta final, acenando, principalmente, para os eleitores evangélicos.
"Nenhum governador do país tratou com as igrejas como ele tratou na pandemia. As igrejas têm uma dívida de gratidão com Casagrande", afirmou Marcel. 
"Deixo uma mensagem aos evangélicos que se preocupam com Nelson: a falta de respeito que Audifax teve com o Nelson", assinalou.
Nelson Junior apareceu no Ipec com 1% das intenções estimuladas de voto.
Audifax e Nelson não retornaram aos contatos da coluna até a publicação deste texto.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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