O governador Ricardo Ferraço (MDB) avisou que não participaria da agenda do presidente Lula (PT) em Aracruz nesta quinta-feira (21). E realmente não compareceu ao evento.
Mas encontrou o petista quase "no sigilo" no Aeroporto de Vitória, logo após o presidente pousar. De lá, o presidente embarcou em um helicóptero em direção a Aracruz.
O momento do cumprimento entre Ricardo e Lula não foi registrado em fotos ou vídeos e tampouco espontaneamente divulgado pelo emedebista. Embora ele não tenha negado, cabe frisar.
Oficialmente, em nota divulgada na quarta-feira (20), Ricardo alegou que precisava se dedicar a outros compromissos, do Executivo estadual, e por isso não poderia participar da agenda do presidente em Aracruz.
Mas o pano de fundo é que o emedebista não tem proximidade política com Lula. Muito ao contrário.
O governador é pré-candidato à reeleição e não quer ser relacionado ao líder petista, ainda mais em pleno ano eleitoral.
A questão é que, além de pré-candidato, Ricardo está à frente do Palácio Anchieta, o que acarreta certos deveres institucionais.
Seria, no mínimo, deselegante esnobar o presidente da República.
O fato de o governador esquivar-se de tratar diretamente com o chefe do Executivo federal também suscita uma dúvida razoável sobre o quanto essa distância político-eleitoral pode prejudicar relações necessárias e republicanas entre os governos central e estadual.
Ricardo estava passando recibo de falta de traquejo institucional.
Encontrar o presidente no aeroporto foi, talvez, a forma que o emedebista encontrou de minimizar isso.
O efeito, entretanto, pode não ser o esperado.
Para não desagradar os eleitores de direita e manter-se alinhado à postura que adotou nos últimos anos (de não comparecer a eventos protagonizados pelo presidente no Espírito Santo), Ricardo não se deixou fotografar ao lado do petista.
O governador também escapou de uma possível saia justa em Aracruz. A plateia, obviamente simpática ao PT, recepcionou o presidente aos gritos de "guerreiro do povo brasileiro" poderia não ser tão afável com o emedebista.
Um concorrente de Ricardo estava no palco, o deputado federal Helder Salomão (PT), também pré-candidato ao governo. Helder foi chamado de "meu governador" por parte do público.
Os eleitores de esquerda podem já não ter muita simpatia por Ricardo, o que o apoio do ex-governador Renato Casagrande (PSB) tende a suavizar.
Mas os menos afeitos à polarização política esperam mais pragmatismo.
+ Colunas de Letícia Gonçalves