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"Chantagem e pressão": braço direito de Pazolini manda indireta para o Palácio Anchieta

O Republicanos, partido do prefeito de Vitória, já perdeu três prefeitos no ES enquanto o chefe do Executivo da Capital se movimenta para disputar o governo

Publicado em 07 de Abril de 2025 às 10:43

Públicado em 

07 abr 2025 às 10:43
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Erick Musso durante discurso na assinatura da ordem de serviço da 1ª UPA de Vitória
Erick Musso durante discurso na assinatura da ordem de serviço da primeira UPA de Vitória, no Forte São João, no último sábado (5) Crédito: Instagram/@erickmusso
Não é segredo para ninguém que o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), quer ser candidato ao governo do Espírito Santo no ano que vem. O chefe do Executivo municipal não fala abertamente sobre isso, mas o partido dele, sim. O Republicanos, em janeiro, divulgou nota em que registrou que o prefeito "busca construir uma base sólida de apoio que fortaleça sua trajetória rumo ao governo do estado".
O texto, evidentemente, foi aprovado pelo próprio Pazolini, que, desde então, passou a se articular com lideranças políticas e até a visitar municípios do interior, numa espécie de pré-campanha.
Enquanto isso, os outros prefeitos do Republicanos têm que escolher um lado. Como a coluna mostrou, alguns já declararam apoio ao candidato a ser apoiado pelo governador Renato Casagrande (PSB) — que pode ser Ricardo Ferraço (MDB) ou outro nome.
Três até saíram do partido para deixar bem claro que não vão colaborar com os planos de Pazolini.
Nos bastidores, aliados dele culpam o Palácio Anchieta pelo movimento de debandada. O governo estadual estaria pressionando os prefeitos, usando dinheiro a ser ou não repassado por meio de convênios para os municípios.
No último sábado (5), ao discursar na assinatura da ordem de serviço para a construção da primeira UPA de Vitória, o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, não citou nomes, mas mandou um recado que não deixa dúvidas quanto ao destinatário:
"Essa UPA vai salvar a vida das pessoas (...) Esse é o verdadeiro espírito público que nós precisamos ter, um espírito combativo, não de fazer política perseguindo as pessoas sob o olhar da desconfiança, da chantagem e da pressão".
Além de comandar o partido no estado, Erick é secretário municipal de Governo em Vitória e o principal articulador político do prefeito.
TRÊS PREFEITOS A MENOS
O prefeito de Sooretama, Fernando Camiletti, e o de Venda Nova do Imigrante, Dalton Perim, já saíram do Republicanos. Peter Costa, de Mimoso do Sul, afirmou à coluna nesta segunda-feira (07), que vai se desfiliar esta semana.
Os três ainda não decidiram a quais siglas vão se filiar, mas, certamente, vão escolher entre as que fazem parte da base casagrandista.
Outros, ainda que permaneçam no Republicanos, já declararam preferência pelo nome do grupo do atual governador.
Um correligionário de Pazolini contou à coluna que acredita que quase todos, no fim das contas, vão se desfiliar, com exceção de Rodrigo Borges, de Guarapari, e do próprio Pazolini. Ao todo, o Republicanos elegeu oito prefeitos no Espírito Santo em 2024.
"Mas a força do Pazolini não vem dos prefeitos. Mesmo com quase todos os prefeitos ao lado dele, aliás, Casagrande quase perdeu em 2022", lembra um pazolinista.
O secretário da Casa Civil de Casagrande, Junior Abreu (PDT), negou qualquer pressão do governo sobre prefeitos do Republicanos.
"Temos investimentos em todos os municípios, independentemente da cor partidária. Temos investimentos, inclusive, em Vitória", afirmou Junior Abreu, à coluna.
"Os prefeitos podem querer mudar de partido por entender que não querem caminhar nesse projeto (do Pazolini), mas não por pressão do governo"
Junior Abreu - Secretário estadual da Casa Civil
Ter o apoio de prefeitos, realmente, não garante votos dos eleitores nos municípios, mas ter apoio de lideranças locais facilita as coisas. Além disso, para ter a oportunidade de pedir votos à população, de ser candidato, é preciso, primeiro, obter o endosso de caciques partidários.
A maioria dos prefeitos apoia o grupo de Casagrande, não somente agora na tentativa de Pazolini de se viabilizar. 
Tradicionalmente, no Espírito Santo, os chefes dos Executivos municipais querem se relacionar bem com o governador do momento, em busca de verbas enviadas via convênio e investimentos diretos do governo nas cidades. 
Pazolini, até pelas pretensões políticas que tem, é um ponto fora da curva.
Fez oposição a Casagrande no primeiro mandato à frente da PMV, ensaiou uma aproximação institucional no início de 2023 e, depois, fortalecido pela reeleição em primeiro turno em 2024, passou a se comportar, de fato, como um adversário eleitoral. 
CORRIDA ELEITORAL E LITERAL
Lorenzo Pazolini discursa na assinatura da ordem de serviço da 1ª UPA de Vitória
Em discurso na assinatura da ordem de serviço da primeira UPA de Vitória, o prefeito Lorenzo Pazolini louvou os feitos da própria gestão e não alfinetou adversários Crédito: Letícia Gonçalves
A coluna esteve na assinatura da ordem de serviço da primeira UPA de Vitória, e ouviu/viu os discursos de Erick Musso e do próprio prefeito.
Imediatamente após o evento, Pazolini literalmente saiu correndo do estacionamento da Secretaria Municipal de Saúde, onde o palco estava montado, chegou até a Avenida Beira-Mar e entrou num carro, sem conceder entrevista.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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