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Vice-presidente

Cartão corporativo de Mourão pagou R$ 9 mil em hotel de Vitória

Então vice-presidente da República esteve no ES para participar de evento organizado por empresários

Publicado em 14 de Fevereiro de 2023 às 16:46

Públicado em 

14 fev 2023 às 16:46
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

Então vice-presidente da República, Hamilton Mourão, durante o 10º Fórum Liberdade e Democracia, em Vitória
Então vice-Presidente da República, Hamilton Mourão, durante o 10º Fórum Liberdade e Democracia, em Vitória Crédito: Bruno Batista /VPR
O ex-vice-presidente da República Hamilton Mourão (Republicanos) esteve no Espírito Santo ao menos quatro vezes enquanto esteve no cargo, de 2019 a 2022. Em duas dessas ocasiões, o cartão corporativo que fica à disposição da vice-presidência foi utilizado.
Em 2 de dezembro de 2020, ele participou do Vitória Summit, evento realizado pela Rede Gazeta. No dia anterior, o cartão pagou uma compra de R$ 500 na Fercon Revestimentos & Acabamentos, localizada em Gurigica, Vitória.
É comum que a equipe  do presidente, ou do vice-presidente, chegue ao destino um dia antes. A despesa foi catalogada como "material para manutenção de bens imóveis/instalações".
O gasto que mais chama a atenção diz respeito a outra visita de Mourão ao Espírito Santo. Em 3 de novembro de 2022, o então vice-presidente fez uma palestra no 10º Fórum Liberdade e Democracia, voltado a lideranças empresariais.
No dia seguinte, o registro oficial mostra o pagamento de R$ 9.046,80, com o cartão corporativo, no Golden Tulip Vitória, um hotel 4 estrelas localizado na Enseada do Suá. 
Os dados são da própria Vice-Presidência da República, que respondeu à Agência Fiquem Sabendo após um pedido feito via Lei de Acesso à Informação (LAI). 
As notas fiscais das despesas não foram disponibilizadas digitalmente. Assim, não é possível saber exatamente o que foi comprado na loja de material de construção em 2020 ou quantas diárias foram pagas ao hotel na capital do Espírito Santo em 2022.
O cartão pode ser usado para arcar com a hospedagem do vice-presidente e também da equipe que o acompanha.
A coluna telefonou para o Golden Tulip Vitória para saber se o próprio Mourão se hospedou no hotel. A ligação foi transferida para diversos setores, mas ninguém soube dizer.
Se quiséssemos reservar uma suíte no estabelecimento para quarta-feira (15), a diária variaria de R$ 528 a R$ 628, a depender do tipo de quarto, de acordo com o site do hotel.
O cartão corporativo fica à disposição do vice-presidente e de seus assessores para gastos de última hora e para arcar com despesas em deslocamento, como hospedagens e alimentação.
A primeira vez que Mourão esteve no Espírito Santo como vice-presidente foi em agosto de 2019. Na ocasião, ele participou de uma reunião com empresários em Vitória e foi ao Convento da Penha, em Vila Velha.
Não há registro de despesa paga com o cartão corporativo no estado neste dia ou em datas próximas. O mesmo ocorreu em junho de 2022, quando o então vice-presidente palestrou na UVV.
Até o final do governo Jair Bolsonaro (PL), de quem Mourão foi vice, dados como elementos de despesa, nomes de fornecedores e datas das compras não estavam disponíveis ao público. 
Essas informações eram consideradas sigilosas. Agora, estão em um link no site do governo federal.
Não há aí, porém, dados detalhados estruturados anteriores ao ano de 2019.
Foi somente no final do primeiro semestre de mandato de Hamilton Mourão que a vice-presidência adotou um sistema eletrônico para organizar os dados das despesas com o cartão de pagamentos, destacou a Fiquem Sabendo.
Há informações sobre despesas feitas com o cartão corporativo do órgão desde 2005, mas apenas em meio físico. Para ter acesso aos documentos, é preciso ir a um prédio da administração federal, com agendamento e certa burocracia.

R$ 3,8 milhões

Foi o gasto no cartão corporativo de Hamilton Mourão de 2019 a 2022
De 2019 a 2022, Mourão gastou R$ 3,8 milhões no cartão corporativo. A maior parte foi para arcar com alimentação (R$ 1.614.333,26). 
Ele chegou a gastar R$ 1.354,71 no Restaurante Lisboa, em Portugal, por exemplo.
Outra despesa intrigante foi uma hospedagem de R$ 38.100,50 no hotel InterContinental, em São Paulo, em setembro do ano passado.
O então vice-presidente foi eleito senador pelo Rio Grande do Sul em outubro.
Procurado pela reportagem do Estadão, Mourão afirmou que o cartão corporativo não ficava com ele: “Existiam agentes que recebiam suprimentos de fundos, seja para as despesas do Palácio Jaburu, seja para as viagens”.
OS GASTOS DE BOLSONARO
Os gastos feitos com o cartão corporativo que ficava à disposição de Bolsonaro também vieram a público após o final o governo. Informações detalhadas desde 2003 sobre as despesas da Presidência da República foram disponibilizadas.
No Espírito Santo, o então presidente e equipe gastaram ao menos R$ 173 mil, como a coluna já mostrou.
TRANSPARÊNCIA
Não se trata aqui de ranking sobre quem gastou mais ou quem gastou menos. A questão é com o que gastou e em quais circunstâncias.
É dinheiro público, sobre o qual a transparência é imprescindível. A digitalização das notas fiscais, que compete ao atual governo, também o é.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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