Ele foi preso, preventivamente, em 28 de fevereiro, por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por descumprir ordem do próprio Supremo. Assim como o ex-deputado Carlos Von, Assumção, desde dezembro de 2022, tem que usar tornozeleira eletrônica e não fazer publicações em redes sociais. A última determinação não foi cumprida pelo deputado do PL.
De acordo com a Constituição Estadual, parlamentares somente podem ser presos em flagrante de crime inafiançável e, ainda assim, a Assembleia Legislativa tem que ser notificada em até 24h e deliberar se a prisão deve ser mantida ou revogada.
A de Assumção, de acordo com a maioria dos deputados, merece a segunda opção.
Enquanto o advogado do parlamentar, Fernando Dilen, discursava no plenário da Casa, nesta quarta, uma garrafa de café deixada na sala de imprensa parecia transmitir um estranho recado:
Garrafa de café na sala de imprensa da Assembleia LegislativaCrédito: Letícia Gonçalves
PAI DE PET
Dilen descreveu o deputado do PL como "policial, esposo, pai de três filhos e dois pets".
ORDEM E PROGRESSO?
Em ao menos duas cadeiras no plenário, durante a sessão foram deixadas bandeiras do Brasil. Uma delas foi levada à tribuna pelo deputado estadual Lucas Polese (PL).
Na bandeira, como se sabe, está gravado o lema "Ordem e progresso". Curioso que o símbolo nacional tenha sido usado justamente para defender quem descumpriu uma ordem.
O LÍDER
Assumção faz oposição ao governo Renato Casagrande (PSB), mas a maior parte dos governistas votou para tirá-lo da cadeia, entre eles o líder do governo, Dary Pagung (PSB).
Integrante da comissão especial que analisou o caso antes da votação em plenário, Dary seguiu integralmente o parecer do relator, Lucas Scaramusa (Podemos), que se posicionou pela soltura de Assumção, e ainda parabenizou o deputado do Podemos.
Dary Pagung e Capitão Assumção na inauguração do Aquaviário, em Vitória, em agosto de 2023Crédito: Lucas S. Costa/Ales
VAIAS
A primeira discursar para justificar o voto foi Iriny Lopes (PT), a favor da manutenção da prisão. Das galerias da Assembleia, onde estavam apoiadores de Assumção, irromperam vaias e gritos, na tentativa de impedi-la de falar, mas a deputada prosseguiu.
Em seguida, foi a vez de Camila Valadão (PSOL). Por ela, o deputado do PL continuaria preso: "Imunidade não é manto para proteger quem comete crimes".
Quando foi a vez de Lucas Polese (PL) discursar, Iriny e Camila deixaram o plenário.
O jovem parlamentar afirmou que a prisão de Assumção deixou a todos com medo de falar, de discursar. O capitão da reserva da Polícia Militar, contudo, não estava proibido de se pronunciar em plenário e tampouco foi alvo do mandado de prisão devido ao conteúdo dos discursos.
VISITAS
O senador Magno Malta, presidente estadual do PL, e o ex-deputado federal Carlos Manato (PL) apareceram no plenário para apoiar o correligionário. Magno, em determinado momento, até sentou-se à Mesa Diretora da Casa.
Senador Magno Malta e ex-deputado Carlos Manato durante sessão da Assembleia LegislativaCrédito: Lucas S. Costa/Ales
Agora, em tese, as coisas vão se acalmar. Ou não, como brincou o próprio presidente da Casa, Marcelo Santos (Podemos), pouco antes de conceder entrevista coletiva:
"A Assembleia está igual trem fantasma: cada curva é um susto".
Como votaram os deputados sobre a prisão de Assumção
Para soltar o deputado:
Adilson Espíndola (PDT) Alcântaro Filho (Republicanos) Alexandre Xambinho (Podemos) Allan Ferreira (Podemos) Bispo Alves (Republicanos) Callegari (PL) Coronel Weliton (PRD) Dary Pagung (PSB) Del. Danilo Bahiense (PL) Denninho Silva (União) Dr. Bruno Resende (União) Eng. José Esmeraldo (PDT) Gandini (PSD) Hudson Leal (Republicanos) Janete de Sá (PSB) Lucas Polese (PL) Lucas Scaramussa (Podemos) Mazinho dos Anjos (PSDB) Pablo Muribeca (Republicanos) Raquel Lessa (PP) Sérgio Meneguelli (Republicanos) Theodorico Ferraço (PP) Vandinho Leite (PSDB) Zé Preto (PL)
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, onde exerce a funcao de editora-adjunta desde 2020.