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Ex-secretário de Segurança

Coronel Ramalho: "Estou disposto a me filiar ao PL, nunca escondi admiração por Bolsonaro"

Militar da reserva da PM e ex-secretário do governo Renato Casagrande, ele está a um passo de disputar a Prefeitura de Vila Velha pelo partido do ex-presidente Jair Bolsonaro

Publicado em 05 de Março de 2024 às 17:01

Públicado em 

05 mar 2024 às 17:01
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Alexandre Ramalho
Secretário da Sesp
Alexandre Ramalho Secretário da Sesp Crédito: Reprodução de TV
O ex-secretário estadual de Segurança Pública Alexandre Ramalho está a um passo de se filiar ao PL, partido do ex-presidente da República Jair Bolsonaro. Ramalho teve duas conversas com o presidente estadual da sigla, o senador Magno Malta, a última foi na sexta-feira (1º). Agora, aguarda apenas o "ok" da legenda.
O coronel da reserva da Polícia Militar saiu do governo no final de janeiro e se desligou do Podemos no mês passado. Até então, ele estava em uma agremiação aliada ao governador Renato Casagrande (PSB). Se a filiação ao PL se concretizar, vai ser uma guinada entre grupos políticos. Mas não uma reviravolta ideológica.
"Estou disposto a me filiar ao PL. Nunca escondi minha admiração pelo presidente Bolsonaro"
Alexandre Ramalho - Ex-secretário estadual de Segurança Pública
É verdade. Em 2022, Ramalho foi adepto do voto "CasaNaro", defendeu a reeleição de Casagrande e a de Bolsonaro. Em relação ao primeiro, a vitória veio, ainda que após uma disputa acirrada. Bolsonaro, por sua vez, está sem mandato e inelegível, mas permanece como o rosto da direita e da extrema direita no país e mobiliza multidões.
O objetivo do ex-secretário é disputar a Prefeitura de Vila Velha este ano. No Podemos, isso seria impossível, já que o atual prefeito, Arnaldinho Borgo, integra a legenda. 
No PL, "houve convite, mostraram que há interesse do partido", contou Ramalho. "Mas o martelo ainda não foi batido", complementou, ao ressaltar que ainda espera uma resposta de Magno.
O Partido Liberal, em Vila Velha, tinha como opção o veterinário Thiago Oliveira do Nascimento, que entrou na sigla em outubro de 2023. Embora não tivesse sido anunciado como pré-candidato a prefeito, era uma das apostas dos atores políticos da cidade pela proximidade com  Magno.
Nascimento, entretanto, foi preso em janeiro e é suspeito de extorquir dinheiro de um milionário indiano. Outro nome do PL seria o ex-vereador Devacir Rabello, mas este não caiu nas graças do presidente estadual do PL.
O périplo de Ramalho em busca de um novo partido, portanto, veio a calhar.
O caminho para se filiar ao PL está azeitado. Falta apenas a formalização.
O partido abriga opositores de Casagrande, como o próprio Assumção. E Arnaldinho Borgo conta com o apoio declarado do governador.
Mas Ramalho afirmou à coluna que uma eventual filiação não o levaria, automaticamente, a se tornar adversário político do chefe do Executivo estadual.
"Tenho gratidão e (se eleito prefeito) teria uma relação institucional. Todos os municípios precisam ter relação com os governos estadual e federal, eu jamais provocaria atritos, brigas ou ranhuras, de forma alguma", respondeu.
No último dia 27, certamente já ciente das movimentações do ex-secretário, Casagrande afirmou à coluna esperar que Ramalho tomasse "um caminho adequado", "não de enfrentamento, mas de continuidade e de diálogo".
Bem, o que Ramalho, até em prol do próprio futuro político, não quer é a continuidade da gestão de Arnaldinho.
O prefeito de Vila Velha, além de aparecer diversas vezes ao lado do governador, é um político de direita, ou centro-direita, e implementa medidas como armar a Guarda da cidade com fuzis (?) e criar um programa de escolas cívico-militares, o que agrada a parte do eleitorado. Sem falar nas pracinhas e parques para crianças.
Outro ponto em comum com Ramalho é que o prefeito é figura assídua nas redes sociais. Teremos uma batalha de reels e vídeos no TikTok?
Filiado ou não ao PL (mas, hoje, tudo indica que vai, sim, ingressar no partido), Ramalho deve enfrentar, nas urnas, um páreo duro.
E BRASÍLIA?
O coronel, além da admiração por Bolsonaro, nunca escondeu que gostaria de ir para Brasília. Em 2022, tentou se candidatar ao Senado, mas o Podemos não deixou. Aí ele integrou a chapa de candidatos a deputado federal do partido. Não foi eleito, ficou como primeiro suplente.
O ex-secretário, em entrevistas, artigos e publicações nas redes sociais, aposta todas ou quase todas as fichas no endurecimento do Código Penal para a redução da criminalidade. 
Como prefeito, porém, não teria como contribuir para alterações na legislação. Então por que entrar na disputa municipal?
"Por solicitação de algumas pessoas. Fui secretário municipal duas vezes, em Viana e em Vila Velha. Fui ordenador de despesas também na Polícia Militar e na Secretaria Estadual de Segurança Pública. A gente pode fazer muita coisa pelo município", justificou o coronel. 

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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