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Eleições 2022

A sinuca de bico do PSOL no Espírito Santo

Nacionalmente, partido sofreu uma onda de desfiliações por descontentamento com o apoio a Lula-Alckmin. Por aqui, também há problemas

Publicado em 06 de Junho de 2022 às 07:50

Públicado em 

06 jun 2022 às 07:50
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

Vereadora de Vitória Camila Valadão
Vereadora de Vitória Camila Valadão Crédito: Facebook/Camila Valadão
O apoio do PSOL à chapa Lula-Alckmin gerou uma ruptura no partido. Uma carta com uma série de críticas à legenda é assinada por membros que anunciaram desfiliação. O movimento é nacional e não provocou debandada no Espírito Santo. Por aqui, no entanto, a situação também é tensa.
Além de apoio à candidatura petista à Presidência da República, o PSOL aprovou a formação de uma federação com a Rede. No estado, o pré-candidato da Rede ao governo é o ex-pr efeito da Serra Audifax Barcelos, que não conta com a simpatia da maioria dos psolistas.
O principal nome do PSOL local é a vereadora de Vitória Camila Valadão, pré-candidata a deputada estadual. A parceria com a Rede é fundamental para elegê-la. Sem isso, mesmo que recebesse muitos votos, correria o risco de ficar de fora da Assembleia Legislativa.
Valadão, no entanto, embora prefira não comentar o imbróglio com a Rede, já emitiu sinais de apoio a outro pré-candidato ao Palácio Anchieta, o Capitão Sousa, do PSTU.
À coluna, a vereadora pontuou que vai seguir o que o partido definir. O apoio a Audifax ainda está em discussão.
 "Tenho respeito pelo Capitão Sousa, tenho solidariedade com ele. Quando ele foi perseguido por PADs (Processos Administrativos Disciplinares) a gente se posicionou. Mas minha posição política nesta eleição vai ter vinculação com a resolução do nosso partido no estado, que ainda está dialogando com a Rede", pontuou a parlamentar.
"Minha relação com ele (Capitão Sousa) não é eleitoral"
Camila Valadão (PSOL) - Vereadora de Vitória
Ninguém do PSOL compareceu ao lançamento da pré-candidatura de Audifax, em abril. Camila Valadão foi a única a telefonar para o ex-prefeito avisando que não poderia ir, pois já tinha outro compromisso.
Além de o ex-prefeito da Serra não ser um homem de esquerda, outra questão que emperra o apoio do PSOL a ele é a vaga de candidato ao Senado.
Os psolistas já lançaram Gilbertinho Campos como pré-candidato. Audifax quer um nome mais competitivo e é pragmático, ou seja, não interessa muito a ideologia do escolhido. 
O PSOL surgiu, em 2004, como uma dissidência do PT, após um grupo de parlamentares ser expulso da legenda por ter votado contra a Reforma da Previdência proposta pelo governo Lula.
Assim como o PT, o PSOL é composto por diferentes grupos e é normal haver divergências internas. Agora, no entanto, a coisa é mais séria.
Primavera Socialista é o maior grupo nacionalmente, que conta com o deputado federal Ivan Valente e o membro da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto Guilherme Boulos, por exemplo.
Esse grupo garantiu a adesão à Rede.
No Espírito Santo, a Primavera Socialista não é majoritária. Esse papel cabe à Ação Popular Socialista, outro grupo do PSOL. Dele, fazem parte a ex-deputada estadual Brice Bragato e o atual presidente estadual do partido, Toni Cabano. A APS é o segmento mais à esquerda do PSOL.
Quanto à debandada, a carta de desfiliação registra a assinatura de ao menos um integrante do partido no estado, Rafael Saltori, que foi candidato a vereador pelo PSOL em Cachoeiro de Itapemirim em 2020. Ele já se apresenta como militante do PCB.
"Aqui não teve ruptura, há descontentes, sim, com a federação com a Rede, mas sem desfiliações por conta disso. Temos certa autonomia em relação à Rede. Lançamos Gilbertinho (ao Senado) e mantemos o nome dele, estamos conversando com a Rede", minimizou Toni Cabano.
Representantes do PSOL nacional estiveram no estado para apaziguar os ânimos, mas continua tudo na mesma.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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