A
vice-governadora do Espírito Santo, Jacqueline Moraes, se diz “enojada” com o deputado estadual catarinense Jessé Lopes (PSL), que recebeu Marco Antônio Heredia Viveros, o ex-marido de Maria da Penha, a mulher que foi brutalmente agredida por ele e vive em cadeira de rodas.
A agressão e a crueldade sofridas por Maria da Penha, que por pouco não morreu, tiveram ampla repercussão internacional e acabaram desencadeando o movimento que levou à criação da
Lei Maria da Penha, de proteção às mulheres vítimas da violência.
O parlamentar bolsonarista, por incrível que pareça, publicou em suas redes sociais uma foto com o agressor, em seu gabinete, e disse que o ex-marido de Maria da Penha foi contar a “sua versão” sobre o caso que virou lei no Brasil. “Sua história é, no mínimo, intrigante", teve a coragem de postar o deputado estadual.
“A vítima nunca é culpada pela violência recebida. Meu total repúdio ao deputado estadual Jessé Lopes (
PSL), que foi ‘ouvir a versão’ do homem que deixou Maria da Penha numa cadeira de rodas por tanto violentá-la. Fiquei enojada. Que tempo sombrio é esse! Calar significa ser conivente. Não serei”, escreveu Jacqueline no Twitter.
A vice-governadora se considerou desrespeitada pela atitude do parlamentar de
Santa Catarina. “É como se a vítima tivesse que ser ‘revitimizada’ o todo tempo. E era assim antes da Lei Maria da Penha. Ouvir o agressor neste tempo em que a Lei comemora 15 anos, é como se fosse uma afronta a todas as mulheres”, afirmou Jacqueline à coluna.
A postagem de Jessé Lopes provocou grande repercussão e muitas críticas nas redes sociais. Em seu perfil no Instagram, o catarinense se apresenta como casado, cirurgião-dentista, conservador e faixa preta em jiu-jítsu e caratê.
“Conhecem este senhor?”, perguntou Lopes, nos stories do
Instagram. “Seu nome é Marco Antônio, o marido da Maria da Penha. Visitou o meu gabinete e contou a sua versão sobre o caso que virou lei no Brasil. Sua história é, no mínimo, intrigante”, escreveu o bolsonarista.
A Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006 com o objetivo de prevenir e reprimir a violência contra a mulher. O nome foi dado em homenagem à farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, que viveu o ciclo da violência e foi vítima de dupla tentativa de feminicídio por parte de seu marido.
Em 1983, Marco Antônio atirou em Maria da Penha enquanto ela dormia, o que a deixou paraplégica. Quatro meses após o ocorrido, ela retornou para casa. O marido a manteve sob cárcere privado por 15 dias e tentou eletrocutá-la durante o banho.
A Justiça permitiu que o agressor cumprisse a pena em liberdade, o que fez com que a vítima levasse a denúncia à Organização dos Estados Americanos (OEA). Maria da Penha se tornou um símbolo de resistência após lutar por justiça ao longo de 19 anos e 6 meses.
Sancionada no governo do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a lei criou varas especializadas para casos de violência doméstica e tipificou os casos para além de agressões físicas como ameaças e ofensas. Também foram incluídas medidas protetivas para resguardar a mulher da proximidade com o agressor.