ASSINE
O cotidiano das nossas cidades, a cultura, a política, a economia e o comportamento da sociedade estão no foco da coluna, que também acompanha de perto as políticas públicas e suas consequências para os cidadãos

Vice do ES repudia deputado que recebeu agressor de Maria da Penha

Jacqueline Moraes se disse "enojada" com o parlamentar que afirmou que "ouviu a versão" do marido que deixou a esposa paraplégica

Vitória
Publicado em 01/09/2021 às 16h12
O deputado bolsonarista Jessé Lopes (à direita) recebeu em seu gabinete o homem que torturou e tentou matar Maria da Penha
O deputado Jessé Lopes (à direita) recebeu em seu gabinete o homem que torturou e tentou matar Maria da Penha. Crédito: Reprodução do Instagram

vice-governadora do Espírito Santo, Jacqueline Moraes, se diz “enojada” com o deputado estadual catarinense Jessé Lopes (PSL), que recebeu Marco Antônio Heredia Viveros, o ex-marido de Maria da Penha, a mulher que foi brutalmente agredida por ele e vive em cadeira de rodas.

A agressão e a crueldade sofridas por Maria da Penha, que por pouco não morreu, tiveram ampla repercussão internacional e acabaram desencadeando o movimento que levou à criação da Lei Maria da Penha, de proteção às mulheres vítimas da violência.

O parlamentar bolsonarista, por incrível que pareça, publicou em suas redes sociais uma foto com o agressor, em seu gabinete, e disse que o ex-marido de Maria da Penha foi contar a “sua versão” sobre o caso que virou lei no Brasil. “Sua história é, no mínimo, intrigante", teve a coragem de postar o deputado estadual.

“A vítima nunca é culpada pela violência recebida. Meu total repúdio ao deputado estadual Jessé Lopes (PSL), que foi ‘ouvir a versão’ do homem que deixou Maria da Penha numa cadeira de rodas por tanto violentá-la. Fiquei enojada. Que tempo sombrio é esse! Calar significa ser conivente. Não serei”, escreveu Jacqueline no Twitter.

Jaqueline Moraes (PSB) teve o mandato como vice-governadora do Espírito Santo deslegitimado após não apoiar a candidatura do marido a prefeito de Cariacica
Jacqueline Moraes:  “É como se a vítima tivesse que ser ‘revitimizada’ o todo tempo". Crédito: Reprodução/Redes Sociais

A vice-governadora se considerou desrespeitada pela atitude do parlamentar de Santa Catarina. “É como se a vítima tivesse que ser ‘revitimizada’ o todo tempo. E era assim antes da Lei Maria da Penha. Ouvir o agressor neste tempo em que a Lei comemora 15 anos, é como se fosse uma afronta a todas as mulheres”, afirmou Jacqueline à coluna.

A postagem de Jessé Lopes provocou grande repercussão e muitas críticas nas redes sociais. Em seu perfil no Instagram, o catarinense se apresenta como casado, cirurgião-dentista, conservador e faixa preta em jiu-jítsu e caratê.

“Conhecem este senhor?”, perguntou Lopes, nos stories do Instagram. “Seu nome é Marco Antônio, o marido da Maria da Penha. Visitou o meu gabinete e contou a sua versão sobre o caso que virou lei no Brasil. Sua história é, no mínimo, intrigante”, escreveu o bolsonarista.

COMO SURGIU A LEI MARIA DA PENHA?

A Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006 com o objetivo de prevenir e reprimir a violência contra a mulher. O nome foi dado em homenagem à farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, que viveu o ciclo da violência e foi vítima de dupla tentativa de feminicídio por parte de seu marido.

Em 1983, Marco Antônio atirou em Maria da Penha enquanto ela dormia, o que a deixou paraplégica. Quatro meses após o ocorrido, ela retornou para casa. O marido a manteve sob cárcere privado por 15 dias e tentou eletrocutá-la durante o banho.

A Justiça permitiu que o agressor cumprisse a pena em liberdade, o que fez com que a vítima levasse a denúncia à Organização dos Estados Americanos (OEA). Maria da Penha se tornou um símbolo de resistência após lutar por justiça ao longo de 19 anos e 6 meses.

Sancionada no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a lei criou varas especializadas para casos de violência doméstica e tipificou os casos para além de agressões físicas como ameaças e ofensas. Também foram incluídas medidas protetivas para resguardar a mulher da proximidade com o agressor.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.