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Leonel Ximenes

Vagão da Vale que quase virou sucata é restaurado e volta aos trilhos

Carro de passageiros construído há 56 anos por pouco não foi reduzido a pedaços de ferro e aço

Públicado em 

05 jul 2021 às 18:40
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

O vagão de passageiros da Vale foi restaurado com as cores originais da década de 1960
O vagão de passageiros da Vale foi restaurado com as cores originais da década de 1960 Crédito: Vanderlei Antônio Zago
Foram 21 anos fora dos trilhos, um triste destino para um vagão de trem que transportou milhares de passageiros desde que entrou em operação em 1965, na Estrada de Ferro Vitória-Minas. Mas o final desta história teve um final feliz: a composição histórica, totalmente restaurada pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), voltou a circular neste domingo (4), no interior de São Paulo, levando turistas.
Como toda história emocionante e de final feliz, um lance de sorte foi o marco inicial para que o vagão da Vale fosse descoberto a tempo de ser salvo de virar sucata. Em 2009, Hélio Gazetta Filho, diretor administrativo da ABPF, resolveu fazer uma viagem de Belo Horizonte (MG) a Cariacica (ES), para conhecer a oficina da Vale no Estado.
Chegando aqui, tomou conhecimento desse vagão de passageiros, o primeiro do acervo a ter pertencido à Estrada de Ferro Vitória-Minas. Após entendimento com a Vale, ele conseguiu esse vagão e outros dois para que fossem restaurados pela ABPF. “Estavam podres mesmo, mas perguntaram se a gente tinha interesse. Dissemos que sim, fizemos a documentação e saíram os três carros de lá”, conta Hélio Gazetta ao jornalista Marcelo Toledo do blog Sobre Trilhos.
Fabricado em 1965 pela Companhia Industrial Santa Matilde em Três Rios (RJ), a composição foi utilizada, em toda sua existência, exclusivamente no trajeto entre BH e a Estação Pedro Nolasco, em Cariacica, durante 35 anos.
O vagão sendo restaurado nas oficinas da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), em Campinas, SP
O vagão sendo restaurado nas oficinas da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), em Campinas, SP Crédito: Vanderlei Antônio Zago
Ele começou a ser restaurado em 2010 pela ABPF, em sua oficina em Campinas (SP), mas o trabalho sofreu várias paralisações ao longo do tempo. No ano passado, o trabalho foi retomado, mas uma vez mais teve que ser paralisado por causa da pandemia de Covid-19. Finalmente, em 2021, a restauração foi retomada e concluída.
Detalhes históricos do vagão de passageiros foram recuperados, como as maçanetas cromadas e os mapas das estações ferroviárias em que o trem fazia paradas no passado.
Segundo Marcelo Toledo, não foi uma restauração fácil. A primeira etapa consistiu na retiradas das partes podres, como os bancos. Também quase não havia janelas, mas a solução foi juntar as janelas dos três carros de passageiros para tentar fazer um – os outros dois carros doados pela Vale serão reformados em outra oficina da ABPF, sem seguir as características originais.
"“Sou voluntário, tenho meu trabalho regular e cuido dos trens nos finais de semana, nos feriados e nas férias. O meu pagamento é ver o carro pronto, de resgatar como ele era. A gente ama e se dedica à causa. Quando sai um veículo, como do jeito que este chegou, e a gente entrega ele desse jeito, todo restaurado, é a compensação. É uma alegria muito grande, uma emoção. A gente faz o possível"
Hélio Gazetta Filho - Diretor administrativo da  Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF)
Além das janelas, foram reaproveitados suportes de maleiros, porém ainda faltava muita coisa. O restauro foi acelerado em janeiro do ano passado, mas após as restrições impostas pela pandemia foram interrompidas. Foi quando surgiu novamente a ideia de procurar a Vale.
A Vale aprovou a ideia da ABPF de pintar o vagão com as cores originais da companhia e financiou a parte final do processo de restauração do carro.
Primeira viagem depois de restaurado, realizada neste domingo (4), entre Campinas e Paulínia, interior de São Paulo
Primeira viagem depois de restaurado, realizada neste domingo (4), entre Campinas e Paulínia, interior de São Paulo Crédito: Vanderlei Antônio Zago
A viagem deste domingo foi realizada entre Campinas e Paulínia, no interior paulista, mas a composição será utilizada regularmente no trecho turístico entre Campinas e Jaguariúna (24 quilômetros). Além do vagão da Vale, foram utilizados outros dois carros restaurados, um que pertenceu à Estrada de Ferro Sorocabana e outro que foi usado no passado pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro.
A história entrou nos trilhos novamente.

Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Feedral do Espírito Santo.

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