Nunca é tarde para ser reconhecido, mesmo que a trajetória de vitórias no tatame tenha sido interrompida há mais de meio século. Estamos falando de um vencedor, Adegard Câmara Florentino, o
Touro Moreno, pai dos medalhistas olímpicos
Yamaguchi e
Esquiva Falcão.
Aos 82 anos de idade, o famoso pugilista, por mérito e reconhecimento, foi graduado faixa preta de jiu-jítsu, neste sábado (18), em Vila Velha, pela professora e campeã brasileira e mundial Ariane Guarnier na presença dos mais expressivos mestres do Estado.
É a coroação de uma trajetória vitoriosa que começou no longínquo 1964, época que remete ao
início do período de trevas que cobriu o país. Mas também foi o ano em que Touro Moreno chegou à faixa marrom, que recebeu da lenda do esporte Hélio Gracie. A vida, entretanto, é feita de escolhas, e Touro escolheu a luta livre e ficou por mais de 50 anos sem usar o quimono, que ontem vestiu com muito orgulho.
O ex-pugilista e lutador de vale-tudo do Brasil, notório por ter empatado o embate contra Waldemar Santana, que na época havia vencido o quase imbatível Hélio Gracie, estava acompanhado de toda a família, na Academia Além dos Tatames. Ele diz que a homenagem significou para ele a realização do seu maior sonho.
“Foi o melhor presente de aniversário que poderia ter recebido”, disse emocionado o ex-lutador. Antes da troca de faixa, Touro Moreno mostrou que ainda preserva a velha habilidade que encantou plateias pelo país afora com rápidas demonstrações, sob aplausos dos mestres do jiu-jítsu
Respeitando as normas de
distanciamento social impostas pela pandemia do novo coronavírus, a graduação foi fechada e contou apenas com a presença dos mestres faixas pretas do Estado, todos devidamente protegidos por máscaras e com um só propósito: homenagear e reconhecer Touro Moreno, pai de 18 filhos, e que continua a sua luta incessante, agora por uma vida mais digna.