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Tribunal de Contas do Estado determinou que a
Prefeitura de Vitória não compre 3 mil notebooks, no valor total de R$ 16,8 milhões, para a Secretaria Municipal de Educação. A medida é decorrente de uma representação apresentada pelo deputado estadual e prefeito eleito da Capital, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e pelo coordenador da comissão de transição do governo municipal, Roberto Carneiro.
A decisão, cautelar (provisória), é do conselheiro relator
Luiz Carlos Ciciliotti e foi proferida nesta quinta-feira (23), um dia depois da representação apresentada ao TCES. O preço unitário de cada computador iria custar R$ 5,6 mil à PMV.
Pazolini, entre outros argumentos apresentados ao Tribunal, afirma que a aquisição dos notebooks não foi pactuada com a equipe de transição e, além disso, ele sustenta que os equipamentos, em tão grande número, estão com valor acima do mercado e não serão distribuídos aos professores ou aos alunos antes do fim do mandato do prefeito
Luciano Rezende (Cidadania), no próximo dia 31.
“Não houve qualquer justificativa para a adesão à ata de registro de preços ou pesquisa de valor de mercado; na verdade, o valor seria muito menor, de R$ 3.514,05, e é de fácil aquisição”, sustentam Pazolini e Carneiro na representação acolhida pelo TCES.
O prefeito eleito argumenta também que o contrato de aquisição dos computadores não prevê garantia compatível com o equipamento e os usos de mercado e exigidos pelo Tribunal de Contas; que não há justificativa para a compra desses notebooks; e que a situação financeira da Prefeitura de Vitória não permitiria tal compra neste momento.
“Independentemente de haver ou não ilegalidade no processo licitatório e adesão ou de sobrepreço, mostra-se gravemente lesiva tal aquisição, feita ao apagar das luzes de uma gestão que não poderá dar qualquer destino aos equipamentos”, afirma Pazolini, que diz considerar a aquisição dos notebooks desnecessária e inconveniente.
Em sua decisão monocrática, o conselheiro relator da ação acata os argumentos apresentados pelo prefeito eleito de Vitória e pelo coordenador da equipe de transição de governo.
“De fato, a aquisição, nos últimos dias de mandato, de um montante considerável de 3.000 computadores notebooks, no valor unitário de R$ 5.600,00, e valor total de R$ 16.800.000,00, sem que se saiba quais serão as estratégias relacionadas às políticas públicas educacionais do futuro gestor, é medida que desafia o razoável. Em suma, a aquisição, no momento, não é plausível, ainda mais considerando que não será possível a distribuição dos equipamentos antes do término do atual mandato”, escreve Ciciliotti em sua decisão.