Uma reunião mensal do Conselho de Administração da
Vale rende a bagatela de cerca de R$ 50 mil a cada um dos seus 13 integrantes. Tanto dinheiro, claro, atrai a cobiça de muita gente, mas tem candidato a uma vaga no colegiado que teve uma ideia diferente.
É o caso do presidente do Sindicato dos Ferroviários ES/MG, Wagner Xavier, que está na disputa por um assento no cobiçado Conselho da empresa como representante dos trabalhadores. Se eleito, ele promete abrir mão dessa fortuna.
Sim, o sindicalista inclusive já registrou em cartório a promessa: se for o escolhido, em fevereiro, vai abrir mão da remuneração em benefício das obras e ações sociais dos empregados que integram o programa Voluntariado Vale e do fortalecimento das lutas dos trabalhadores por melhores condições de trabalho.
Em todo o país, 11 chapas concorrem a uma vaga de titular e suplente de conselheiro na eleição que será realizada de 9 a 11 de fevereiro. Xavier, que tem 18 anos de empresa, assumiu o compromisso também de dar maior transparência à utilização da expressiva remuneração. “Vamos usar o salário do conselheiro em benefício dos próprios trabalhadores, através de uma comissão formada pelos empregados para ajudar a fiscalizar e gerir os recursos”, promete.
O Conselho de Administração da Vale, que se reúne uma vez por mês na sede da mineradora, no
Rio de Janeiro, é formado por 13 membros, dos quais 12 representantes dos acionistas majoritários e minoritários e apenas um representando os trabalhadores.
O mandato do conselheiro é de dois anos, com direito à reeleição. A representação dos trabalhadores no CA foi uma conquista dos dirigentes sindicais e garantida no edital de privatização da empresa, em 1997.
O Sindfer ES/MG registra um índice de sindicalização de 68% da categoria, bem acima da média histórica de sindicalização no país, que está em torno de 18%.