Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Leonel Ximenes

Sapatada na crise: a história de 2 empresários do ES que não param de vender

Irmãos donos de uma fábrica de móveis em Vila Velha agora produzem sapateiras para as pessoas que não querem entrar em casa com o calçado por causa da Covid

Publicado em 02 de Agosto de 2020 às 05:00

Públicado em 

02 ago 2020 às 05:00
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Alexandre e Felipe na fábrica de móveis: oportunidade surgida na crise
Alexandre (com a furadeira amarela) e Felipe na fábrica de móveis: oportunidade surgida na crise Crédito: Ana Carolina Ribeiro
Há 20 anos uma pequena marcenaria no bairro Divino Espírito Santo, em Vila Velha, é a fonte de sustento de duas famílias que fabricam móveis de grande porte sob encomenda. Mas veio a crise, e como toda adversidade pode também significar uma oportunidade, os empreendedores perceberam que havia uma demanda de negócios reprimida em meio à devastação da Covid-19: as pessoas mudaram os hábitos e passaram a tirar o calçado na hora em que chegam da rua e entram em casa.
saudável hábito higiênico em tempos de pandemia, entretanto, acabou provocando um problema novo de “logística” doméstica: onde colocar sapatos, tênis, sandálias ou chinelos em local adequado para que não fiquem acumulados em corredores de apartamentos ou espalhados na entrada das residências? Pronto, eis o cenário ideal para quem pudesse encontrar uma solução para essa encrenca. E os dois empresários vila-velhenses a encontraram.
Os donos da fabriqueta, Alexandre Ivo Peterle Ribeiro, de 30 anos, e seu irmão Felipe Peterle Ribeiro, 27, perceberam a demanda, fizeram o projeto e começaram a fabricar uma sapateira delicada e original. O primeiro cliente foi o jovem empresário Lucas Paradella, dono de uma hamburgueria em Itapoã e amigo de Felipe, que foi quem mostrou para ele o projeto. Lucas gostou, comprou o produto e começou a falar da novidade com amigos, que foram comprando e contando para outros amigos, no que poderia ser chamado de “círculo virtuoso”.
Ana Carolina, mulher de Alexandre e secretária da marcenaria, é quem cuida das encomendas e conta que tudo foi muito rápido. Ela disse que, para cuidar desse “pequeno negócio”, foi criada uma outra empresa. As primeiras encomendas foram entregues em junho e hoje já são, em média, 100 sapateiras despachadas para os clientes por semana. É tudo muito rápido e eficiente: o comprador encomenda a sapateira numa semana e a recebe na semana seguinte.
E a crise? Que crise? O marido e o cunhado de Ana Carolina se encarregam de fabricar o pequeno móvel, mas quem disse que deram conta de tantos pedidos? Tiveram de contratar quatro funcionários para trabalhar na produção e na entrega, que por enquanto está restrita a Vila Velha e Vitória. Realistas e sem querer ser atropelados pela dinâmica do negócio, a meta atual é de crescer somente 10%, ou seja, entregar 110 sapateiras por semana.
E em tempos de altíssima exposição, eles não têm sequer perfil nas redes sociais ou página na internet. Tudo é resultado de clientes satisfeitos que falam para outros clientes. Ou seja, está em curso a mais poderosa ferramenta de marketing de todos os tempos: o velho, bom e eficiente boca a boca.
As sapateiras de madeira: prevenção em casa contra o novo coronavírus
As sapateiras de madeira: prevenção em casa contra o novo coronavírus Crédito: Ana Carolina Ribeiro
Mas, de olho na oportunidade, eles não descartam contratar mais pessoas, uma “ousadia” jamais imaginada antes de surgir essa oportunidade. Até porque há mais dois produtos sendo desenvolvidos pela empresa canela-verde: uma sapateira com almofadas para a pessoa sentar-se para calçar os sapatos e um modelo de mesinha de cabeceira de cama. Cada sapateira custa R$ 60 e o pagamento é feito por meio de aplicativo ou à vista - há preços diferenciados para quantidades maiores.
E assim, Alexandre e Felipe, com a ajuda de Ana Carolina, vão eternizando uma cultura que vem de gerações. A família é proveniente de São Gabriel da Palha, no Noroeste do Estado, onde o avô deles, Antônio Ivo Peterle, tinha a Fábrica de Móveis Perterle.
A profissão foi ensinada ao filho, Nilson Ribeiro, e passada aos netos, Alexandre e Felipe, que cresceram em contato com a atividade. A família mudou-se para Vila Velha, Nilson criou a empresa de móveis e, há dois anos, os dois filhos assumiram o comando dos negócios. Pelo visto a tradição familiar no ramo de móveis está preservada. Assim como a higiene e a segurança sanitária dos seus clientes em tempos de pandemia.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Netflix: veja 5 filmes e séries que entram no catálogo nesta semana
Imagem de destaque
10 minutos por dia: rotina prática de skincare para mulheres reais
Título de eleitor, voto
Eleitor tem até quarta (6) para tirar título e poder votar em outubro

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados