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Reserva da Mata Atlântica no ES ainda tem morcegos desconhecidos

Estudo de pesquisadores da Ufes foi publicado no  site internacional Neotropical Biology and Conservation

Vitória
Publicado em 22/11/2020 às 04h00
Estação Biológica de Santa Lúcia  em Santa Teresa
Estação Biológica de Santa Lúcia em Santa Teresa. Crédito: Cláudio Nicoletti de Fraga/INMA

Mesmo com boa parte de sua fauna e flora extintas ou ameaçadas, a Mata Atlântica ainda consegue atrair cientistas que fazem descobertas surpreendentes. Prova disso é um artigo publicado por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no conceituado site internacional Neotropical Biology and Conservation, que revela uma grande diversidade na Estação Biológica de Santa Lúcia (EBSL), em Santa Teresa, cuja fauna continua parcialmente desconhecida.

O estudo assinado pelos pesquisadores João Paulo Maires Hoppe, Maria Lavanholle Ventorin, Bruna Malavazi Dell’Antonio, Carlos Thiago Machel da Silva e Albert David Ditchfield aponta que a EBSL é uma das reservas mais antigas do Brasil, usada como local de pesquisas desde 1939 pelo naturalista capixaba Augusto Ruschi, Patrono da Ecologia do Brasil.

O artigo, que apresenta um estudo que se iniciou em 2009 naquele local da Mata Atlântica, mostra a análise feita pelo grupo durante 19 noites, com a instalação de redes para a captura de animais. Ao todo, foram 204 exemplares coletados, de duas famílias e 22 espécies.

O fato curioso revelado pelos pesquisadores é a diversidade média a alta dos morcegos, fortemente dominada por espécies frugívoras, ou seja, aquelas que se alimentam somente de frutas e que não prejudicam as sementes, possibilitando um ciclo sustentável da natureza. As análises revelam uma estimativa de riqueza de espécies ainda maior, mostrando que a fauna de morcegos da região permanece parcialmente desconhecida, merecendo, então, mais levantamentos sobre esses animais.

O artigo também mostra que, além do domínio das espécies frugívoras, representantes de outros nichos ecológicos estão ausentes, especialmente os morcegos onívoros – que se alimentam de vegetais e de animais. Esses grupos são bioindicadores, isto é, sua presença denota qualidade ambiental.

Assim, é demonstrado o impacto que as ações do homem provocaram ao longo das décadas na EBSL. Espécies ameaçadas de extinção foram encontradas durante o estudo, como o nectarívoro Lonchophylla peracchii, e o insetívoro Myotis ruber.

O TRABALHO DE AUGUSTO RUSCHI

A Estação Biológica de Santa Lúcia é uma unidade de pesquisa e conservação que compreende uma área de, aproximadamente, 440 hectares (o equivalente a 440 campos de futebol). O local possui terras sob o domínio do Museu de Biologia Prof. Mello Leitão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Sociedade de Amigos do Museu Nacional, estando sob os cuidados do Museu Mello Leitão, que nele realiza pesquisas nas áreas de botânica, zoologia e ecologia.

A história da Estação Biológica está vinculada ao trabalho do naturalista Augusto Ruschi, que foi pesquisador do Museu Nacional e fundou o Museu de Biologia Prof. Mello Leitão em 1949. A Estação situa-se no domínio geomorfológico denominado “Borda Montanhosa do Planalto” que, no município de Santa Teresa, tem cerca de 50% de sua área ainda coberta por remanescentes de Mata Atlântica.

Mesmo em pequena escala, a caça clandestina e o risco de incêndios ainda são ameaças para a Estação Biológica.

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