Ser o primeiro cego eleito deputado federal no Brasil não é pouca coisa num país onde ainda existe tanta discriminação e preconceito. É uma conquista tão relevante que o deputado federal capixaba Felipe Rigoni (PSB) foi convidado por uma grande editora brasileira a contar sua trajetória num livro. E ele aceitou o desafio.
"Meu Olhar sobre o Brasil", título provisório da obra, já revela de início uma característica marcante do parlamentar, que consegue extrair bom humor de onde muita gente enxerga tragédia.
Felipe, linharense de 29 anos, foi convidado pela Editora Intrínseca a escrever seu primeiro livro. Será lançado pelo selo História Real, destinado a obras de não-ficção.
Ele vai contar sua trajetória, desde o momento em que ficou cego, aos 15 anos, depois de 17 cirurgias nos olhos malsucedidas, até se tornar o primeiro deficiente visual eleito (84.405 votos) para o
Congresso Nacional, passando pelo mestrado em Políticas Públicas pela prestigiada Universidade de Oxford, na Inglaterra.
A obra ainda não tem data para ser lançada, mas a ideia é finalizá-la ainda neste ano. O volume de trabalho na pandemia atrasou um pouco o ritmo de produção do deputado.
“Este livro é importante porque eu vou conseguir expressar tudo o que eu penso em termos políticos e econômicos. Por isso conto a minha história no livro, como eu tomo cada atitude”, destaca Rigoni.
Felipe Rigoni é formado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Ouro Preto (MG), mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Oxford e foi eleito em 2018 o primeiro deputado federal cego da história da Câmara. É cofundador do Movimento Acredito e líder do RenovaBR.
Para o autor, sua experiência pode servir como incentivo a outras pessoas que entendem a política como instrumento de transformação da sociedade: “Será uma oportunidade de conhecerem de onde eu venho e que tipo de política eu quero fazer, mas também para inspirar quem esteja interessado na política brasileira e saber que tem uma pessoa aqui querendo fazer uma política diferente e buscando parceiros que querem fazer isso junto”.
Para escrever o livro, o parlamentar capixaba tem na tecnologia sua aliada. Todos os celulares e tablets agora vêm com a função de leitura de tela, tanto no Android como no iPhone. Ele apenas ativa essa função, e a voz do celular (que ele chama de “Raquel”) lê tudo numa grande velocidade. Para digitar, ele simplesmente ativa a função de leitura de tela e usa um teclado.
Aliás, Rigoni é um voraz leitor de livros, porque toda obra vira audiobook na mão dele. Ele compra o livro em PDF e o aplicativo do celular lê rapidíssimo. Dono de uma memória prodigiosa, o parlamentar é capaz de citar parágrafos inteiros de cabeça.