O pastor batista Usiel Carneiro de Souza, da Igreja da Praia (antiga Igreja Batista da Praia do Canto), condenou a promulgação pelo
presidente Lula da Lei 14.970/2024, de 13 de setembro de 2024, publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (16), que institui o segundo domingo de junho como o “Dia Nacional da Pastora Evangélica e do Pastor Evangélico”.
Em publicação em seu perfil do Instagram, Usiel se identifica como pastor evangélico e considera um despropósito a iniciativa que vem da chamada bancada evangélica no
Congresso e questiona no que isso melhora a vida do país e da própria fé evangélica.
“Nosso lugar não é esse. Nosso chamado e missão é levantarmos a voz em favor dos que não podem se defender a si mesmos, dos fracos, dos necessitados, a exemplo dos profetas bíblicos. Nosso dever é nos esforçarmos para sermos exemplo de cidadania e amor ao próximo”, registra Usiel.
O pastor considera, ainda, que o Dia Nacional da Pastora e do Pastor Evangélico é o símbolo do empobrecimento espiritual que caiu e se espalha “sobre essa parcela dos cristãos brasileiros”.
E questiona: “Como os defensores de algo assim reagirão diante um Dia Nacional da Mãe e do Pai de Santo? E se alguém lutar para criar uma Praça do Candomblé, a exemplo da Praça da Bíblia? Seria democrático um Dia do Ateu Confesso para que sua memória fosse celebrada?”, indagou.
Por fim, o pastor batista afirma que não vai comemorar a data: “A mistura entre Igreja e Estado pode acontecer em diversas camadas do ambiente público. E em nenhuma delas costuma dar em boa coisa. De minha parte, como pastor
evangélico, lamento. Eis um dia que não comemorarei”.
A reação do pastor segue a linha histórica dos batistas, que pregam como princípio a liberdade de consciência e separação entre Igreja e Estado, desde que surgiram como grupo religioso dentro do contexto histórico da Reforma Protestante na Igreja da Inglaterra.