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Leonel Ximenes

No ES, primeira-dama assume Secretaria de Turismo onde não tem… turismo

Município é mais conhecido pela produção de café conilon, pimenta-do-reino e petróleo

Públicado em 

08 abr 2022 às 15:13
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

O prefeito Marcos Guerra e a primeira-dama de Jaguaré, Vera Backer
O prefeito Marcos Guerra e a primeira-dama de Jaguaré, Vera Backer Crédito: Divulgação
O prezado leitor poderia dizer quais são as atrações turísticas de Jaguaré, simpática cidade do Norte do Estado? Se não se lembrou, não fique aflito, pois, parece, nem a prefeitura nem o governo do Estado se lembram também. Jaguaré, terra de excelente café conilon e de ótima pimenta-do-reino, não tem turismo - mas tem Secretaria Municipal de Turismo. E mais: tem a primeira-dama do município ocupando o cargo de secretária de Turismo.
Explicando essa proeza. Vera Backer, mulher do prefeito Marcos Guerra, era, até dias atrás, secretária de Assistência Social do município. “Para ajudar a reconstruir administrativamente a pasta”, argumenta a assessoria da prefeitura.
Mas o prefeito (e marido dela, não nos esqueçamos) resolveu fazer uma pequena reforma administrativa e designou Vera (que é a mulher do prefeito, não nos esqueçamos também) para assumir a recém-reativada Secretaria de Turismo de Jaguaré. Sim, a cidade que não tem relevância no turismo já teve uma Secretaria de Turismo pra chamar de sua, na gestão anterior, que funcionava junto com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano.
Mas a pergunta que não quer calar: o que faz uma secretária de Turismo em um município que não é conhecido por nenhuma atividade turística relevante? E não ser conhecido turisticamente não é mera força de expressão. No site da Prefeitura de Jaguaré, por exemplo, quem clica na aba “Pontos Turísticos” recebe como resposta “Em construção”.
A falta de resposta se repete no portal “Descubra o Espírito Santo”, da Secretaria Estadual de Turismo (Setur): quem procura informações turísticas sobre a cidade encontra na aba “Agroturismo” a resposta “Em breve”. Quando esse “em breve” deixará de ser “em breve”, eis a questão.
A Setur destaca, sim, o potencial econômico da cidade: “Jaguaré é um dos municípios mais novos do Espírito Santo, porém com grande destaque no cenário nacional como o maior produtor de café conilon do Brasil e pelo campo petrolífero de Fazenda Alegre. Principais atrativos: Cachoeira do Bereco e Barragem do Jundiá”.
Mesmo sem atrações turísticas conhecidas do público, o governo municipal diz que tem planos: “A Administração, com a expectativa de experimentar um longo período de desenvolvimento, quer ampliar seu espectro de investimento também para o setor turístico e seus polos de desenvolvimento. Jaguaré possui belezas únicas, que ainda são desconhecidas do grande público”, reconhece a prefeitura.
E Vera Backer, qual o conhecimento técnico que ela tem do setor? “Foi solicitado à primeira-dama, nesse caso, que assumisse, momentaneamente, a Secretaria de Turismo para, da mesma forma que antes, mesmo que sem experiência na área, mas com afinidade com as ações relacionadas, construir administrativamente a pasta”, argumenta a assessoria do prefeito Marcos Guerra..
A prefeitura informa que a rede hoteleira do município oferece cerca de 140 vagas e que a cidade tem em torno de 15 bares e restaurantes “de bom porte”. “Jaguaré possui ricos traços turísticos, bem como históricos e culturais que não poderiam ficar de fora de um pensamento macro de desenvolvimento singular do município”, diz a prefeitura. E cita uma série de manifestações culturais e religiosas que teriam potencial para atrair, no futuro, os turistas, aí incluídas a encenação da Paixão de Cristo, a Folia de Reis, bandas e corais.
De concreto mesmo, neste momento, temos a Secretaria Municipal de Turismo, agora comandada pela primeira-dama, que vai receber R$ 4,5 mil de salário. Subordinada (administrativamente) ao marido e prefeito Marcos Guerra, que, segundo o Portal da Transparência, recebe R$ 11,4 mil.
Agora só falta a plaquinha: “I love Jaguaré”.

Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Feedral do Espírito Santo.

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