Uma parte da cultura popular do Espírito Santo vai-se com o senhor Gaudêncio da Conceição, que morreu nesta terça-feira (15), aos 92 anos de idade. Ele era um dos integrantes mais antigos do
Ticumbi de
Conceição da Barra, uma das manifestações folclóricas mais bonitas e admiradas das terras capixabas.
Seu Gaudêncio estava internado há mais de um mês no
Hospital Jayme Santos Neves, na Serra, para tratar-se de uma ferida na perna. Nesse período, o estado de saúde dele se agravou e ele acabou morrendo de insuficiência pulmonar na tarde de ontem. Seu corpo será sepultado na tarde desta quarta (16), na cidade do litoral Norte do Estado.
Há mais de 30 anos seu Gaudêncio participava na função de “congo segundo” do Ticumbi, arte da dança que legou à família. Por sinal, uma família numerosa: o vendedor de coco há mais de 50 anos na praia de Conceição da Barra deixa 11 filhos vivos e uma quantidade tão expressiva de netos, bisnetos e tataranetos que uma neta dele, que pediu para não ser identificada, não conseguiu precisar o número.
Nas redes sociais, admiradores e amigos manifestaram pesar pela morte do barrense ilustre. “ Gaudêncio da Conceição era um dos mais antigos integrantes do Ticumbi de Conceição Da Barra. Vai-se mais um pedaço da cultura dos descendentes bantos do Norte do Espírito Santo”, lamentou a professora e escritora
Bernadette Lyra, também ela uma orgulhosa barrense.
Amigo da família, Cristiano Cartório, como é conhecido na cidade, enumerou as qualidades do seu Gaudêncio: “Era um homem trabalhador, íntegro e honesto. Lembro que vendia cocos verdes na praia da nossa cidade, um verdadeiro guerreiro, deixou um lindo legado para todos os familiares e amigos”.
Segundo um trecho de um texto da professora Bernadette Lyra divulgado nas redes sociais, o Ticumbi é uma variante do Congado presente em Conceição da Barra. “É uma das mais genuínas tradições religiosas negras, que ‘encobre, através de um ritual de coesão e identificação étnica, traços profundos do pensamento negro disfarçados no culto a São Benedito’”.
O crédito da foto do senhor Gaudêncio havia sido atribuído equivocadamente a "álbum de família". Na realidade, a imagem é de autoria de Zélia Siqueira, a quem pedimos desculpas pelo erro.
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