Aliados do ex-prefeito Sérgio Meneguelli (Republicanos) chegaram a avisar: o ex-prefeito de Colatina iria publicar, nesta sexta-feira (19), um vídeo em que pede à bancada capixaba que apoie a manutenção da
prisão do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ). Assim foi feito: o vídeo foi ao ar, mas, misteriosamente, acabou sendo retirado das redes sociais momentos depois de ter sido postado.
A coluna indagou à assessoria de Meneguelli o motivo da retirada do depoimento. Segundo foi alegado, o ex-prefeito teria ficado insatisfeito com a edição do vídeo e resolveu retirá-lo das redes sociais. Não há previsão de que um novo pronunciamento do ex-prefeito seja postado.
Mas a coluna apurou que o conteúdo do vídeo, de forte crítica ao deputado bolsonarista, causou insatisfação em parte dos seguidores de Meneguelli nas redes. Além disso, o prefeito foi aconselhado por um cacique do seu partido a retirar o vídeo do ar porque, segundo palavras de uma fonte, “não acrescenta nada” no currículo político do colatinense. “A repercussão foi muito negativa”, admite a fonte.
No vídeo, de pouco mais de dois minutos e meio, Meneguelli faz uma pregação em defesa da legalidade democrática: “O deputado Daniel Silveira jurou defender a Constituição, mas na verdade ele ultrajou a Constituição”, criticou o republicano.
E apelou: “Como capixaba, peço à bancada do Espírito Santo que mantenha hoje a prisão desse deputado para dar exemplo. É uma oportunidade de o Congresso atender ao clamor da sociedade”, afirmou Meneguelli, que citou particularmente os deputados federais Evair de Melo (PP) e Da Vitória (Cidadania), seus tradicionais aliados.
O recuo de
Sérgio Meneguelli foi alvo de críticas e ironias nas redes sociais. Em sua página no Facebook, Amarildo Lovato, ex-candidato a prefeito de Vila Velha pelo PSL, reposta o vídeo do ex-prefeito e diz, em tom irônico: "Não entendi nada".
Daniel Silveira está preso, por determinação do ministro Alexandre Moraes, e referendado pelo plenário do Supremo, por ter defendido o fechamento do STF e ter feito apologia ao AI-5, instrumento jurídico da repressão na ditadura militar. Nesta sexta, às 17h, o plenário da Câmara decide se apoia ou relaxa a prisão do deputado bolsonarista do Rio de Janeiro.