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Leonel Ximenes

Igreja reclama que nem vinho está podendo usar nas missas em presídios no ES

Pastoral Carcerária da Igreja Católica levou à Sejus uma série de reivindicações sobre assistência religiosa no sistema prisional

Públicado em 

28 dez 2022 às 15:31
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

A Pastoral Carcerária da Igreja Católica não aceita substituir o vinho canônico por suco de uva nas missas
A Pastoral Carcerária da Igreja Católica não aceita substituir o vinho canônico por suco de uva nas missas Crédito: Divulgação
A Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Vitória está denunciando que em alguns presídios capixabas estão ocorrendo vários impedimentos à plena realização dos sacramentos da confissão e até da eucaristia (missa) junto com os presos. Em outros locais, segundo a Igreja Católica, não estão sendo entregues as bíblias doadas pela Pastoral desde o mês de agosto.
Em reunião na Secretaria Estadual de Justiça (Sejus), a Pastoral Carcerária diz que intercedeu por melhorias no sistema de assistência religiosa nos presídios capixabas.
O coordenador da Pastoral Carcerária na Regional Leste 3, padre Vítor César Zille Noronha, levou também à Sejus cobranças de falta de espaço reservado para confissão dos detentos, impedimento de contato físico durante a assistência religiosa e impedimento do uso de vinho e vela para a celebração da eucaristia.
Os sacerdotes, segundo a pastoral, são orientados a usar suco de uva nas missas, sob o argumento de que há detentos com problemas de vício em álcool. Mas, para a Igreja, o suco é inaceitável no rito litúrgico católico, já que os detentos não consomem o vinho canônico, que é atribuição exclusiva do padre e em mínima quantidade.
Missa em unidade prisional do ES; direito garantido em lei
Missa em unidade prisional do ES; direito garantido em lei Crédito: Pastoral Carcerária
O padre Vítor Noronha também denunciou a falta de colchões para todos dormirem, celas sem ventiladores e com calor intenso, falta de medicação para doentes e ausência de tratamento cirúrgico para outros casos mais graves, além de reclamações sobre a qualidade da comida fornecida.
“Há mais de um ano estamos neste processo de interlocução. Algumas coisas avançaram, mas outras não. Fizemos questão de fazer essa conversa pelo fato de haver uma transição de governo, com mudanças na Secretaria de Justiça, e esperamos que isso traga novidades positivas para nossa atuação em prol de pessoas encarceradas que precisam também serem alcançadas pelo cuidado de Cristo por nosso intermédio”, disse o sacerdote.
Um relatório detalhado por unidade prisional atendida pela Pastoral Carcerária foi entregue à Subsecretaria de Ressocialização da Sejus contendo os pontos que precisam de maior atenção em cada local.
O Espírito Santo tem 37 unidades prisionais e apenas sete não têm superlotação, como mostra a publicação Estatísticas do Sistema Prisional – Dados Consolidados, produzido pelo Conselho Penitenciário do Estado do Espírito Santo (Copen-ES). São 22,9 mil detentos no Estado, sendo 15,2 mil na Grande Vitória e 7,6 mil no interior.

LISTA DE DEMANDAS APRESENTADAS À SEJUS

  • Falta de espaço reservado para confissão dos detentos;
  • Não liberação de entrada de caneta e papel para uso durante a assistência religiosa;
  • Algumas celas, como as de isolamento, não têm ventiladores, e o calor é intenso;
  • Detentos com problemas de saúde e ausência de atendimento médico;
  • Falta de colchões para todos. Muitos dormem no chão, pois não há espaço suficiente;
  • Ausência de bíblia na cela, ou livro sagrado parcialmente destruído. Ausência quase total da bíblia católica;
  • Marmitas deixadas o dia todo nas celas e apodrecimento;
  • Queixa de hérnias que precisam de tratamento cirúrgico, ossos quebrados e detento detido com o braço engessado, mas sem receber medicação recomendada;
  • Algumas queixas de tratamento truculento e desrespeitoso, mas sem queixa de agressão física, ao menos nas galerias já visitadas;
  • Reclamação sobre a qualidade da comida;
  • Ausência de acompanhamento às demandas de saúde mental;
  • LGBTQIA+fobia por parte de diversos servidores da unidade;
  • Muitos relatos de agressões e violências físicas, verbais e psicológicas;
  • Frequentes punições por parte da direção (retirada de aparelhos de TV, recolhimentos das bíblias, não entrega de cremes);
  • Falta de isonomia de tratamento em relação às outras denominações religiosas, com não entrega das bíblias católicas doadas pela Pastoral em agosto e não entregues às celas até hoje;
  • - Os agentes penitenciários não respeitam o horário da assistência religiosa e interferem na evangelização com gritos e falas.

O QUE DIZ A SECRETARIA ESTADUAL DE JUSTIÇA

A Secretaria de Estado da Justiça enviou uma resposta à demanda da coluna:, “A Sejus informa que o Grupo de Trabalho Interconfessional do Sistema Penal (Ginter) assessora as questões teológicas e pastorais nas unidades prisionais do Estado, garantindo o respeito à diversidade religiosa e o diálogo inter-religioso. Sobre a denúncia apresentada, a Sejus esclarece que já está em diálogo junto à Coordenação Estadual da Pastoral Carcerária para tratar da questão, considerada pontual”.  
Sobre a assistência religiosa nos presídios, “a Sejus ressalta que a assistência religiosa prisional é um direito do preso e está prevista na Lei de Execução Penal (LEP). Para realizar o trabalho voluntário na Sejus é necessário passar por uma capacitação a fim de conhecer a metodologia da assistência religiosa nas penitenciárias do Estado, bem como o funcionamento do sistema penal. Essa ação é importante para assegurar o respeito a todas as crenças, permitir que o culto religioso aconteça sem intercorrências e com a garantia da segurança necessária para o ambiente prisional”.

Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Feedral do Espírito Santo.

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