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Leonel Ximenes

Igreja cobra rigor na apuração do caso do rapaz jogado da ponte no ES

Comissão da Promoção da Dignidade Humana da Arquidiocese de Vitória (CPDH) divulgou uma carta pedindo investigação rápida

Públicado em 

10 jun 2025 às 13:36
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Vídeo mostra viatura em cima da Segunda Ponte e movimentação na água
Vídeo mostra viatura em cima da Segunda Ponte e movimentação na água Crédito: Câmera de segurança
A Igreja Católica, por meio da Comissão da Promoção da Dignidade Humana da Arquidiocese de Vitória (CPDH), divulgou uma carta em que cobra uma apuração rápida e rigorosa sobre o caso do adolescente de 17 anos que morreu após ser jogado da Segunda Ponte por três policiais militares, no dia 18 de fevereiro deste ano.
“Esperamos a apuração célere, com rigor investigativo e legalidade com uso dos instrumentos técnicos e científicos para o estabelecimento da verdade e a responsabilização dos culpados, inclusive se estes forem órgãos e instituições públicas”, diz trecho da carta assinada pelo padre Kelder Brandão, vigário episcopal do Vicariato para a Ação Social, Política e Econômica da Arquidiocese de Vitória.
“Fatos como este nos levam a questionar as estatísticas divulgadas ultimamente, pelos governos estadual e municipal, que mostram diminuição dos homicídios em nosso estado, e nos faz questionar: Qual o conceito de homicídio está sendo empregado nessas estatísticas? A serviço de quem a violência policial está sendo considerada legítima? Quem são seus alvos preferidos?”, indaga a Igreja.
A Comissão da Promoção da Dignidade Humana da Arquidiocese de Vitória também se solidarizou com a família da vítima: “Nos solidarizamos com a família de Kaylan Ladário dos Santos e reafirmamos a nossa luta por uma política de segurança pública que se paute pelos princípios e valores da paz e dos direitos humanos, na defesa a vida, nosso bem maior”.

“INJUSTIFICÁVEL”

Um vídeo anexado ao processo que apura a morte de Kaylan mostra o momento em que os três PMs acusados pelo homicídio estão sobre a Segunda Ponte, que liga Vitória aos municípios de Vila Velha e Cariacica. As imagens, obtidas pela reportagem da TV Gazeta, também mostram o adolescente na água, antes de se afogar no mar, no dia 18 de fevereiro deste ano.
O próprio secretário estadual de Segurança Pública, Leonardo Damasceno, considerou o caso “injustificável”. Os policiais militares Luan Eduardo Pompermaier Silva, Franklin Castão Pereira e Leonardo Gonçalves Machado foram indiciados por homicídio qualificado e denunciados pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). Os três foram presos no último dia 28.
"Os acusados foram ouvidos em dois momentos. No primeiro eles deram uma versão, e já na condição de investigados, quando o vídeo apareceu, eles preferiram se manter em silêncio", detalhou o secretário.

A NOTA DA ARQUIDIOCESE DE VITÓRIA

A Comissão da Promoção da Dignidade Humana da Arquidiocese de Vitoria - CPDH, Regional Leste 3 da CNBB, no seu dever ético, político e cristão de defender a vida e a dignidade humana, repudia e denuncia, de forma intransigente, todas as formas de violação dos Direitos Humanos.

 A CPDH acompanha com indignação e estarrecimento as notícias que estão sendo veiculadas em diversos meios de comunicação reverberando o suposto assassinato do adolescente Kaylan Ladário dos Santos, ocorrido no dia 18 de fevereiro de 2025. Segundo as fontes que noticiam, o adolescente de 17 anos estava sendo conduzido por policiais militares que o jogaram, possivelmente ferido e ainda vivo, do alto da Segunda Ponte, que liga os municípios de Vitória e Cariacica. No dia seguinte o corpo do Kaylan foi encontrado boiando na orla do município de Cariacica-ES.

 A CPDH prima pela garantia dos direitos humanos em todas as suas dimensões de forma universal, indivisível e interdependente cuja tarefa de proteger, garantir, promover, reparar, realizar e implementá-lo é primeira do Estado.

 Fatos como este nos levam a questionar as estatísticas divulgadas ultimamente, pelos governos estadual e municipal, que mostram diminuição dos homicídios em nosso estado, e nos faz questionar: Qual o conceito de homicídio está sendo empregado nessas estatísticas? A serviço de quem a violência policial está sendo considerada legítima? Quem são seus alvos preferidos?

 Desta forma, esperamos a apuração célere, com rigor investigativo e legalidade com uso dos instrumentos técnicos e científicos para o estabelecimento da verdade e a responsabilização dos culpados, inclusive se estes forem órgãos e instituições públicas.

 Nos solidarizamos com a família de Kaylan Ladário dos Santos e reafirmamos a nossa luta por uma política de segurança pública que se paute pelos princípios e valores da paz e dos direitos humanos, na defesa a vida, nosso bem maior.

Fraternalmente

Padre Kelder José Brandão Figueira, 
Vigário episcopal do Vicariato para a Ação Social, Política e Econômica da Arquidiocese de Vitória

Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Feedral do Espírito Santo.

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