A campanha eleitoral começa a causar polêmicas e abalos em antigas amizades e alianças. O coronel Nylton Rodrigues, ex-secretário estadual de Segurança Pública e candidato do Partido Novo à
Prefeitura de Vitória, acusou o atual titular da Sesp, coronel Alexandre Ramalho, de ser “oportunista”, “eleitoreiro” e de “usar mal” a função.
“Enquantos os homicídios disparam em nosso Estado, o secretário de Segurança perde tempo se dedicando a questões eleitoreiras. Ressoa como oportunismo e mau uso da função - em tese técnica. A população deve ficar atenta. Já passou a época do vale-tudo para se perpetuar no poder”, escreveu o candidato do Novo em suas redes sociais, no começo da tarde deste sábado (3).
Segundo Vogas, Ramalho discursou no palanque e desejou sucesso a Gandini em sua campanha a prefeito de Vitória.
A crítica pública, decorrente de uma desavença eleitoral, marca o rompimento de uma sólida amizade entre os dois coronéis. A imagem de Nylton Rodrigues e de Alexandre Ramalho ficaram muito associadas, principalmente a partir de 2017, durante a
fatídica greve da PM.
Na época, Rodrigues assumiu o comando-geral da PM, em meio a um clima de grande tensão. De perfil combatente e operacional, Ramalho, a pedido do amigo e superior hierárquico, se empenhou muito para tentar colocar a tropa de volta às ruas.
Depois, Nylton tirou a farda, vestiu terno e gravata e assumiu a secretaria de Segurança Pública (Sesp) na reta final do governo Paulo Hartung. O novo secretário então passou o comando-geral da PM para Ramalho, o aliado de sempre.
Curiosamente, na semana em que Vitória foi palco de uma chacina na região de Santo Antônio, com a morte de quatro jovens, e em que o Estado registrou 96 assassinatos em setembro, Ramalho foi sentir o gosto de participar de um ato político-partidário.
Quem não aprovou a receita parece ter sido o candidato a prefeito Nylton Rodrigues - e a relação entre os antigos amigos e aliados passou do ponto e azedou.
Procurada pela coluna, a assessoria de Alexandre Ramalho disse que o secretário prefere não se pronunciar sobre o assunto.