Foram quase dois anos de espera, desde o início da
pandemia. Cada dia, cada hora, parecia uma eternidade para o estudante capixaba Jiordano Lorenzoni Partelli, de 19 anos, que aguardava a autorização das autoridades russas para fazer o tão desejado curso (presencial) de Química na Universidade de Kursk.
O ok russo finalmente foi dado e Jiordano, morador de
Marilândia, no Noroeste do Estado, embarcou neste domingo (20) à tarde para a capital russa. Deixou aqui saudade, choro e muito orgulho; levou na bagagem sonhos, esperança e a certeza de mais uma vitória na sua vida.
"Ele começou a pesquisar e buscar a vaga desde os 17 anos quando estava no segundo ano do fundamental”, lembra Beto Partelli, pai de Jiordano, que acompanhou o seu único filho ao Aeroporto de Guarulhos. Aliás, foi um programa em família: a mãe do estudante, Carla Partelli, também foi levar o pupilo para embarcar em São Paulo rumo à
Europa.
Foi difícil saber quem se emocionou mais. A mãe do futuro químico, com olhar fixo na pista onde estava o avião que iria decolar levando o filho para realizar o sonho da família, chorou copiosamente, naquela mistura de emoções que bem sabem todas as mães. Uma mistura de sentimento de perda do filho amado (ainda que momentânea), mas de muito orgulho e felicidade também.
Beto, que é produtor rural e ex-vereador em Marilândia, explica que Jiordano, que aniversariou no último dia 11, já fala russo fluentemente, certamente ajudado pelas aulas virtuais de Química que teve durante a pandemia, aguardando a data para que pudesse embarcar para as aulas presenciais.
O estudante desembarcou nesta segunda (21), às 18h (horário local, meio-dia de Brasília), na capital russa. De lá seguiu de trem para Kursk, cidade de meio milhão de habitantes que fica a 525 quilômetros de Moscou, uma distância equivalente à de Vitória ao
Rio de Janeiro.
Em entrevista a esta coluna em julho do ano passado, Jiordano comemorou a difícil conquista da vaga na exigente universidade russa: “Eu fiquei extasiado quando soube que fui aprovado. É muito gratificante ver que todos os meus esforços foram recompensados”.
Para ser selecionado para a Universidade de Kursk, que é paga, ele participou de uma avaliação que constou de análise de documentos, como currículo e histórico escolar, e uma entrevista. O currículo do jovem, aliás, foi enriquecido com cursos de Educação à Distância em Botânica pela Universidade de Tel-Aviv (
Israel) e de Química Orgânica na Universidade de Novosibirsk (Rússia).
O estudante capixaba se deu ao luxo até de ter um plano B. Jiordano também passou em primeiro lugar na seleção do curso de Química da prestigiada Universidade de Coimbra, em
Portugal, mas preferiu aguardar a vaga no curso presencial em Kursk, o que acabou acontecendo.
Se quisesse ainda outras opções, o jovem estudante que gosta de jogar videogame e pesquisar e desenvolver projetos, poderia ter escolhido ficar bem mais próximo, uma vez que ele também passou para os cursos de Química, Farmácia e Estatística na Ufes, Economia na PUC de São Paulo e para cursos de Química em mais quatro universidades federais (UFRJ, UFPB, UFPI, UFBA).
Mas a escolha de Jiordano recaiu mesmo sobre a vasta terra dos czares, onde pretende ter uma formação acadêmica de melhor qualidade: “Optei pela Rússia por questões acadêmicas e científicas. Sinto que lá terei melhor aproveitamento do meu conhecimento bem como poderei aprimorá-lo”.
“Ele vai ficar cinco anos na Rússia. Meu filho tem uma história de vida muito bonita”, emociona-se o pai, lembrando que todos os obstáculos foram superados. Que essa bela história continue na vastidão das terras dos czares. E que seja do tamanho do sucesso de Jiordano.