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ES é alertado para riscos de tragédias por inundações desde 2011

Em documento,  Serviço Geológico do Brasil, do governo federal, fez o diagnóstico da situação e recomendou ações estruturais nos 77  dos 78 municípios do ES , inclusive em Iconha, Alfredo Chaves e Vargem Alta, os mais atingidos pela última enchente

Publicado em 23/01/2020 às 05h00
Atualizado em 23/01/2020 às 06h20
Prédio atingido pela enchente e condenado: ocupação irregular do Rio Iconha . Crédito: Fernando Madeira
Prédio atingido pela enchente e condenado: ocupação irregular do Rio Iconha . Crédito: Fernando Madeira

O governo federal, por intermédio do Serviço Geológico do Brasil, desde 2011 emite alertas sobre os riscos de tragédias por inundações nas cidades do Espírito Santo afetadas pelas chuvas nos últimos nove anos, inclusive as mais atingidas pela enchente na semana passada. 

Dos 78 municípios capixabas, em 77 foi feito o diagnóstico pelo Serviço Geológico do Brasil. Vitória, que já tem um plano de contingência próprio e bem elaborado, não consta dessa lista.

O relatório para Vargem Alta data de 2011, enquanto que para Alfredo Chaves o documento é de 2012 e, para Iconha, de 2015. Aparentemente, nenhuma ação mais enérgica foi feita por esses municípios ou pelo próprio Estado.

O projeto do governo federal foi iniciado em novembro de 2011 ,em localidades selecionadas pela Defesa Civil Nacional, com o objetivo de mapear, descrever e classificar as situações com potencialidade para risco alto e muito alto.

PROBLEMA ESTRUTURAL EM ICONHA

O relatório de Iconha traz dados preocupantes. A conclusão do relatório da área de risco é iniciada desta forma: “A população da cidade no ano de 2010, conforme o IBGE, era de 12.523 pessoas, sendo 2.810 em área de risco; assim estima-se 22,43% da população vivendo em áreas de risco”.

Relatório do Serviço Geológico do Brasil (2015)

Alertando que Iconha não está adotando medidas para impedir a ocupação irregular de áreas não indicadas à habitação

"O município NÃO vem atuando de forma correta para impedir o avanço nas áreas não indicadas à habitação e precisa agir, fazendo sempre vistorias em áreas de mananciais, evitando ocupação de áreas ribeirinhas, construções irregulares e invasão de áreas não edificáveis"

Além disso, o documento aponta que, historicamente, não havia registros de deslizamento de encosta com vítimas, “porém existem inúmeros relatos de episódios de enchentes com danos materiais”.

O governo federal já demonstrava preocupação com o nível do Rio Iconha e a poluição. “A subida da água é rápida, levando cerca de uma hora, e a descida um pouco mais lenta, levando de 2 horas a 3 horas. Também há descarte de lixo e entulhos nas margens do rio e descarte de esgoto em boa parte da extensão do rio. Há um intenso solapamento de margens, sobretudo na área central do município, sendo aconselhável a realização de vistorias frequentes nas casas localizadas mais próximas ao rio”.

MAIS DA METADE DA POPULAÇÃO EXPOSTA AO PERIGO EM ALFREDO CHAVES

O Serviço Geológico do Brasil identificou que em Alfredo Chaves seis setores da cidade, que abrigavam cerca de 55% da população em 2015, estavam expostos, em níveis alto ou muito alto, a deslizamentos de massa e inundações.

Centro de Alfredo Chaves tomado pela água. Crédito: Foto do leitor
Centro de Alfredo Chaves tomado pela água. Crédito: Foto do leitor

O governo federal indicou para o município a demolição das casas já interditadas pela Defesa Civil, até obras de engenharia precedidas de necessários estudos geotécnicos (ações estruturais), como a construção de escadarias adequadas, ou obras de contenção de encostas, além da implantação de pluviômetros.

Também foram sugeridas a realização de campanhas ambientais, para a devida coleta de lixo, e da criação de um rigoroso plano de ordenamento territorial do município, visando ao planejamento de ocupação urbana e rural de forma adequada e sustentável.

EM VARGEM ALTA, SUGESTÃO DE DEMOLIÇÃO DE CASAS

Já em Vargem Alta, cinco setores, com 2.400 residentes, aproximadamente, foram considerados problemáticos e com grande risco de serem afetados pelos desastres naturais, como enxurradas e inundações.

Computadores de uma escola em Vargem Alta destruídos pela inundação. Crédito: Fernando Madeira
Computadores de uma escola em Vargem Alta destruídos pela inundação. Crédito: Fernando Madeira

Em alguns dos setores, o governo sugeriu a remoção das casas ao longo do rio, além da realização da dragagem de determinados leitos fluviais.

Em todos os casos de municípios que poderiam sofrer com enchentes, o governo federal recomendou a realização de campanhas educativas e de capacitação para evitar o pior.

Fica a pergunta: se todas essas recomendações do governo federal fossem adotadas, será que teríamos tanto sofrimento decorrente de mais uma tragédia provocada pela chuva no Espírito Santo?

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