Esqueçam a imagem dura, o discurso agressivo e o tiroteio a esmo de
Manato contra seus adversários políticos. Pré-candidatíssimo a governador do Estado —
disputa em que ficou em segundo lugar, com 27% dos votos na última eleição, contra 55% de
Renato Casagrande (PSB) —, o ex-deputado federal vai passar por um reposicionamento de imagem. Sim, vem um novo Carlos Manato aí. Mais “palatável”, poderíamos dizer.
A partir desta segunda-feira (16), a suavização do discurso dará o tom de suas narrativas nas redes sociais e nas reuniões que tem feito pelo interior. Suas falas terão menos abordagens dos acontecimentos nacionais e mais a digital local, com debates, discussões e proposições para o
Espírito Santo. Em um dos primeiros vídeos, Manato - podem acreditar - chega a oferecer flores para seus adversários.
As peças são assinadas pelo jornalista e consultor de imagem e reputação Fernando Carreiro, que também é o responsável pela pré-campanha de Manato ao governo do Estado. “Há 20 anos o Espírito Santo se vê revezando entre um e outro candidato ao governo. O capixaba está cansado dessa dualidade. Chegou a hora de mostrar que há outra opção, outro caminho. Além de ter boas propostas, de estar preparado para discutir o Estado, Manato tem um jeito bem-humorado, muito peculiar da personalidade dele, e isso também estará presente na comunicação das redes”, adianta Carreiro.
Mas nem tudo são flores; as pedras estão à mão também. Em outro vídeo, Manato (sem partido) vai desferir pesadas críticas à gestão de Casagrande: “Quem assiste à propaganda oficial do governo acha que a crise não chegou até aqui. Parece que esse governo vive em outro Estado”. E emenda o ex-deputado: “O Espírito Santo não vai bem, não senhor”.
A imagem de Manato não está mudando só na linguagem e na percepção. O pré-candidato ao
Palácio Anchieta já fez alguns procedimentos estéticos e tem outros programados a fim de suavizar sua presença. É a versão Manato paz e amor. E com nova embalagem.
Segundo Carreiro, Manato é e continuará sendo um candidato de direita, o que não o impede de conversar com o eleitor do centro. Esse é, inclusive, um dos desafios do marqueteiro. “O tom moderado do discurso que pretendemos adotar a partir de agora, por si só, já vai aproximar o eleitor do centro, que repele os extremos. Vai ter
Bolsonaro, mas vai ter mais Manato. Ele tem boas ideias, está preparado para a tarefa de ser governador. A nossa missão é trabalhar conteúdo e forma a fim de fazer com que a linguagem chegue adequadamente para cada público”, explicou Carreiro.
Será que o Manatinho, como o próprio costuma se apresentar aos mais chegados, fará jus ao diminutivo? O tempo dirá.