Crianças e adolescentes, na faixa de 0 a 14 anos, dão à luz no
Espírito Santo a cada 32 horas. Neste ano, no período de janeiro a maio, aconteceram 99 partos de mães nesta faixa etária. O município com maior quantidade de casos é a Serra, que registrou 14 operações do tipo, sendo seguido por Cariacica (10) e São Mateus (9) – o município do Norte, inclusive, acaba sendo referência para outras pequenas cidades da região. Na
Grande Vitória, Vila Velha e Vitória acumularam cinco casos, cada.
A gravidez em crianças e adolescentes também já provocou um total de sete abortos em meninas com idades entre 10 e 14 anos. Os procedimentos aconteceram nas cidades de
Cachoeiro de Itapemirim, Itapemirim, Nova Venécia, Santa Teresa, São Mateus, Vila Velha e Vitória.
No Brasil, um em cada sete bebês é filho de mãe adolescente. A cada hora nascem 48 bebês, filhos de mães adolescentes.
Segundo o Fundo de População das
Nações Unidas (UNFPA), das 7,3 milhões de meninas e jovens grávidas no mundo, 2 milhões têm menos de 14 anos. Essas jovens apresentam várias consequências na saúde, educação, emprego, nos seus direitos e na autonomia na fase adulta ao terem filhos tão cedo.
As taxas de mortalidade nessa faixa etária são elevadas e chegam a 70 mil por problemas na gravidez ou no parto. Entre as causas de maternidade precoce estão os elevados índices de casamentos infantis, organizados pelas próprias famílias, a extrema pobreza, violência sexual e falta de acesso aos métodos anticoncepcionais.
De acordo com os números do Datasus referentes a 2019, os partos de meninas de 10 a 14 anos apresentam maiores taxas na Região Norte: Roraima (7,3/1.000), Amazonas (6,1/1.000) e Acre (5,6/1.000). Na Região Nordeste, as maiores taxas ocorrem no Maranhão (4/1.000) e Alagoas (3,9/1.000). Taxas menores que 2/1.000 adolescentes de 10 a 14 anos ocorrem somente no Sudeste, Sul e no Distrito Federal.
Da mesma maneira, os partos de adolescentes de 15 a 19 anos também são mais frequentes na Região Norte (74,9/1.000), com taxa de 110,6/1.000 em Roraima, seguido pelo Amazonas e pelo Acre, ambos com 84,6/1.000.
Dados do IBGE confirmam que 7 em 10 meninas grávidas ou com filhos são negras e 6 de 10 não trabalham e não estudam. Segundo relatório do Banco Mundial, o Brasil poderia aumentar a sua produtividade em US $3,5 bilhões por ano se as adolescentes adiassem a gravidez para depois dos 20 anos de idade.