Um recente relatório da Agência Nacional do Petróleo (ANP) apontou recorde de flagrantes de combustíveis adulterados com metanol em 2023 em todo o país. A presença deste produto foi responsável por 21,3% das irregularidades encontradas na
gasolina durante as fiscalizações da agência reguladora. No etanol, esse índice foi de incríveis 32%.
O Espírito Santo, segundo o sindicato dos postos (Sindipostos), tem, historicamente, um bom índice de qualidade dos combustíveis, mas nem por isso ficou livre do uso irregular do metanol.
No mercado, o entendimento é que essas ações no Espírito Santo criminosas foram pontuais, quase particulares. Essa percepção é reforçada pelos números da própria ANP, que em apenas 1,3% das ações de fiscalização registrou infrações por qualidade de produto.
Indagado sobre essas e outras práticas irregulares no Espírito Santo, o presidente do Sindipostos, Maxwell Nunes de Paula, reforça o histórico de qualidade constatado nas fiscalizações, mas mesmo assim orienta o consumidor a procurar postos e empresários que já têm tradição no mercado e exigir a nota fiscal.
Ele explica que a parte dos postos na formação do preço dos combustíveis gira em torno de 10% do valor final do produto. Por isso, alerta; preços muito diferentes da média do mercado podem, sim, ser um sinal ruim. “É complicado para a entidade que representa o setor dizer isso, mas nesses casos discrepantes, o consumidor deve ficar atento”, orienta.
E por que o metanol é perigoso? Conhecido também como carbinol ou álcool metílico, é um composto usado exclusivamente na indústria química e que pode causar graves problemas de saúde e até mesmo levar à morte.
Esse desvio de função do produto tem como objetivo aumentar o lucro através da sonegação de impostos. E a consequência disso é uma concorrência desleal com aqueles postos que vendem seus produtos dentro das normas legais.