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Biblioteca da Ufes promove exposição com livros “malditos” em Rondônia

Obras que estavam na lista de censura da Secretaria de Educação daquele Estado são destaque da mostra "Caça às Bruxas"

Publicado em 20/02/2020 às 05h50
Livros expostos na exposição na Biblioteca Central da Ufes. Crédito: Divulgação
Livros expostos na exposição na Biblioteca Central da Ufes. Crédito: Divulgação

A Biblioteca Central da Ufes está promovendo uma “caça às bruxas”. Mas neste caso não se trata de perseguição de ordem política, social ou cultural, mas sim do nome da exposição que foi aberta nesta semana no hall de circulação e arte da instituição.

Em destaque, alguns dos livros que constavam da lista de obras “proibidas” pela Secretaria de Estado de Rondônia, como “A Vida Como Ela É”, do grande Nelson Rodrigues.

Alguns livros em destaque na exposição "Caça às Bruxas" na Ufes

  • Rubem Alves
  1. "A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir"
  2. "Conversas com quem gosta de ensinar"
  3. "Estórias de quem gosta de ensinar"
  4. "Da Esperança"
  5. "Religião e repressão"
  6. "Fomos maus alunos"
  7. "O enigma da religião"
  8. "Dogmatismo e tolerância"
  9. "Variações sobre a vida e a morte ou o feitiço erótico-herético da teologia"
  10. "Protestantismo e repressão"
  11. "A gestação do futuro"
  • Nelson Rodrigues
  1. "Teatro completo" (inclui "O beijo no asfalto", que é a obra censurada)
  • Rubem Fonseca
  1. "Bufo & Spallanzani"
  2. "A coleira do cão"
  3. "Lucia MacCartney"
  4. "Feliz ano novo"
  5. "Secreções, excreções e desatinos"
  6. "Agosto"
  7. "O buraco na parede"
  • Aurélio Buarque de Holanda
  1. "Mar de histórias"
  • Carlos Heitor Cony
  1. "Antes, o verão"
  • Franz Kafka
  1. "O castelo"
  • Machado de Assis
  1. "Memórias póstumas de Brás Cubas"

A instalação foi concebida pelo bibliotecário Djair Rodrigues de Souza, que é mestre em Gestão Cultural: "Tendo em vista que a biblioteca, hoje, além de ser um lugar onde se produz cultura e conhecimento, também é local de resistência e reafirmação das artes, sobretudo da literatura, elaborou-se essa exposição com itens do acervo que compõem a lista dos livros mandados tirar de circulação pelo secretário de Educação de Rondônia", explica.

Livros são queimados numa
Livros são queimados numa "fogueira" simbólica na Biblioteca da Ufes, representando a censura. Crédito: Divulgação

A instalação “Caça às Bruxas”, segundo Djair de Souza, tem um objetivo que vai além da exposição de livros: “É um misto de desagravo, desabafo e resistência cultural a atos que cerceiam a liberdade não apenas do leitor, mas dos autores proibidos de serem lidos”.

A Secretaria de Educação de Rondônia chegou a distribuir um memorando e uma lista de livros para serem recolhidos das escolas por conterem o que foi definido como “conteúdos inadequados” a crianças e adolescentes. Mas, diante da repercussão da tentativa de censura, a Secretaria desistiu do ato de barbárie.

A lista das obras censuradas tem 43 títulos. São livros de autores consagrados como Caio Fernando Abreu, Carlos Heitor Cony, Euclides da Cunha, Ferreira Gullar, Nelson Rodrigues e Rubem Fonseca.

Também fazem parte o livro "O Castelo", de Franz Kafka (e não Kafta, certo, ministro Weintraub?), "Macunaíma", de Mário de Andrade e "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis —as duas últimas são frequentemente adotadas em vestibulares.

Segundo a Folha de S.Paulo, o governador de Rondônia, coronel Marcos Rocha, é filiado ao PSL, ex-partido de Jair Bolsonaro. A expectativa é que Rocha acompanhe o presidente em seu novo partido, o Aliança.

A exposição fica aberta até 31 de março de 2020, no foyer do piso térreo da Biblioteca Central da Ufes.

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