O dia 3 de fevereiro pode ser considerado um marco para os observadores de aves no Espírito Santo. Nesse dia, foi registrada mais uma espécie de ave, o Maçarico-tereque (
Xenus cinereus). A espécie foi encontrada na foz do Rio Cricaré, em
Conceição da Barra, Norte do Estado, e
registrada na plataforma Wikiaves, referência mundial em registros de aves.
A ave, raríssima, foi registrada pelos pesquisadores e biólogos Cristian M. Joenck e Márcio Repenning durante uma expedição organizada pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg). Dessa forma, o Espírito Santo alcança o quantitativo de 668 espécies que circulam no território capixaba.
A nova espécie encontrada é uma conquista não só do ES, mas também nacional, pois é a segunda ocasião que se tem registro, em solo brasileiro, dessa ave migratória asiática. O primeiro avistamento foi em Paraty (RJ) por volta de 2005.
O Maçarico-tereque é uma espécie de ave migratória que faz parte da família
Scolopacidae (representada pelos maçaricos e narcejas), endêmica da
Rússia e dos países Escandinavos. Ele é conhecido por ter um bico curvo (para cima), comprido e escuro com base alaranjada.
"Essa espécie é rara porque não ocorre do Brasil. Esses registros são de indivíduos isolados que por alguma condição climática o trouxe até aqui. São originários da Rússia, lá são abundantes. Mas para chegar aqui algo aconteceu e que precisa ser estudado, mas a causa provável é o clima, a princípio", explica Régis Vicentini Silotti, vice-presidente do Clube de Observadores de Pássaros do Espírito Santo (COA-ES).
O registro desta espécie é extremamente importante para o monitoramento da biodiversidade no Estado e para a preservação das aves migratórias. E ainda é possível compreender melhor o comportamento dessa ave durante sua migração, a identificação dos locais de descanso, alimentação e reprodução dos Maçaricos-tereques.
“Esses dados são fundamentais para a conservação desta espécie, pois eles nos ajudam a compreender melhor a dinâmica das suas populações e os efeitos das mudanças ambientais”, destaca Victor Biasutti, presidente do Clube de Observadores de Pássaros do Espírito Santo (COA-ES).