O dia 11 de agosto de 2020 jamais sairá da memória dos moradores do pequeno distrito de Ponto Alto, em
Domingos Martins, na
Região Serrana do Estado. A data tem um sentido especial para a comunidade, que naquele dia perdeu seu maior símbolo: um jequitibá de 40 metros de altura, três metros de circunferência e 123 anos de idade presumíveis.
A morte da árvore centenária comoveu o distrito de cerca de 3 mil habitantes de descendência alemã e acabou virando o documentário “Jequitibá e sua Simbologia”, produzido por Ingrid Carollaine Küster, Emilly Sofia Erlacher e Ariane Pereira de Oliveira, estudantes da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Ponto do Alto.
A história emocionante foi contada em detalhes pelo diretor da unidade de ensino, Marcelo Ribett, durante sessão da Comissão de Educação da
Assembleia Legislativa, realizada na semana passada.
“O jequitibá apresentou perda repentina de folhas e galhos secos. Num primeiro momento, achávamos que se tratava de uma ação criminosa, mas laudos técnicos comprovaram que foi uma morte natural. A comunidade ficou muito sentida, triste, com a perda desse símbolo que está no uniforme da escola, no nosso brasão”, explicou Ribett.
O diretor contou que a história do jequitibá e a sua relação com a comunidade serviu de inspiração ao protagonismo juvenil no documentário, que foi realizado com foco na Olimpíada de Língua Portuguesa da escola, sob responsabilidade da professora Joyce Klippel de Mello, cujo tema era “O lugar onde vivo”.
“O documentário mostra o que temos de mais importante, que é a criatividade dos nossos estudantes. Quando damos condições, os alunos realizam e nos surpreendem. Apenas com o uso do celular e técnicas de edição, elas resgataram a nossa história. Este trabalho mostra o talento dos estudantes sobre uma árvore que foi testemunha de vários acontecimentos na nossa comunidade. Fica a mensagem da preservação, da tradição”, destacou Ribett.
Na produção, as alunas reforçam que os imigrantes alemães chegaram ao local em 1897, mas foi somente a partir de 1934 que começaram a derrubada das matas para colonização. As árvores que não tinham utilidade para serragem não foram cortadas, e entre elas estava o jequitibá, um dos mais importantes espécimes da Mata Atlântica.
Por isso, a única árvore do local, localizada no ponto mais elevado do futuro povoado, permaneceu como uma referência para os moradores e para os que chegavam à localidade.
Em 1997, surgiu um movimento da comunidade para comemorar os 100 anos da colonização de Ponto Alto. Foi, então, que foi confeccionada a bandeira com base na Alemanha e o jequitibá como brasão.
O presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa,
deputado Bruno Lamas (PSB), elogiou a iniciativa da comunidade. "Foi uma sessão recheada de emoção. As alunas nos presentearam com um documentário que retrata o sentimento local com a morte de uma árvore centenária."