Além de toda a tragédia humana, com a
perda de mais de 300 mil vidas até agora, a pandemia de Covid-19 provocou inflação, aumento generalizado de preços, desemprego e fome. Feitas as contas, a dura conclusão: os auxílios emergenciais aprovados pela Prefeitura de Vitória e pelo governo federal não serão suficientes nem para a compra da cesta básica.
A PMV vai oferecer, a 2.328 famílias,
um auxílio de R$ 500, pagos em duas parcelas de R$ 250. O
governo federal, por sua vez, pagará o benefício em quatro parcelas, com valores de R$ 150 cada (para quem mora sozinho), ou R$ 250 (famílias em geral), ou de R$ 375 (famílias monoparentais, dirigidas por uma mulher).
Considerando que, em média, uma família poderá receber em torno de R$ 500 no município, com a soma dos auxílios, o valor não é suficiente nem para adquirir a cesta básica, cujo preço médio ficou em R$ 609,27 em fevereiro, conforme levantamento do Dieese.
Ou seja, os auxílios só seriam capazes de bancar em torno de 82% dessa cesta. Somente núcleos familiares com mulheres teriam como adquirir por completo o kit a partir da junção dos auxílios.
São 13 alimentos que compõem a cesta básica: carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga.
Os dados mais recentes do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) revelam que pelo menos 150 mil pessoas vivem em situação de extrema pobreza no Espírito Santo, com renda mensal inferior a R$ 145 (equivalente a 13,18% de um salário-mínimo, hoje estipulado em R$ 1.100).
“Quem tem fome tem pressa”, já disse o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, há décadas. E esse alerta, por causa da tragédia da pandemia, continua válido.