O Transcares, o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do ES, enviou um ofício à
Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) solicitando que os equipamentos do Cerco Inteligente sejam devidamente identificados, para que não seja confundido com os demais instrumentos de fiscalização de trânsito.
O sindicato também lembra de um acidente fatal com um motoqueiro, na
BR 262, em Viana, na época do Carnaval. Ele morreu ao bater atrás de um veículo cujo condutor também freou bruscamente ao avistar o dispositivo eletrônico de monitoramento.
“Embora os equipamentos do Programa Cerco Inteligente não se tratem de equipamentos eletrônicos destinados à fiscalização de trânsito, a semelhança de tais dispositivos com os equipamentos homologados para a fiscalização da velocidade (vulgo radares), por exemplo, é patente”, aponta o Transcares.
Ainda segundo a entidade, tem se tornado uma queixa comum dos motoristas profissionais do segmento do transporte rodoviário de cargas que a falta de identificação do Cerco Inteligente vem gerando uma série de comportamentos inseguros no trânsito por parte dos condutores.
“Por não identificarem os equipamentos do Cerco Inteligente como tais, os motoristas entendem que estão na iminência de uma fiscalização por excesso de velocidade, por exemplo, ocasionando freadas bruscas, manobras de desvio para a faixa contrária ou o acostamento., culminando em determinadas situações na ocorrência de acidentes de trânsito”, argumenta o Transcares no ofício enviado à Sesp.
Na semana passada, o
deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania) também cobrou do governo do Estado a identificação, com placas, do Cerco Inteligente nas rodovias. Ele apresentou um projeto de lei que obriga o Estado a identificar todos os equipamentos públicos contendo câmeras do Cerco nas rodovias.
De acordo com o parlamentar, ao reduzir bruscamente a velocidade do veículo, ao confundir o sistema de segurança com radares, o motorista tem colocado a sua vida e a de outras pessoas em risco, o que reforça a necessidade de placas de sinalização nesses locais.
“O meu projeto, além de garantir maior segurança aos motoristas, também ampliará o caráter inibitório de práticas delitivas envolvendo veículos automotores”, afirma o parlamentar.
Os radares, presentes em diversos pontos das rodovias que cortam o Estado, têm a função de fazer com que o motorista reduza a velocidade. Por isso, ele recebe sinalização, a indicação de que ali tem um radar. Caso o limite estabelecido nos trechos não seja respeitado, o condutor imprudente pode ser punido com multa.
Já os equipamentos do Cerco Inteligente não emitem infrações. Atualmente, há 843 câmeras ativas em 290 pontos de monitoramento no Espírito Santo.
De acordo com a Sesp, ao todo, em mais de um ano de funcionamento, o sistema ajudou a recuperar mais de 476 veículos.