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Leonel Ximenes

As mulheres que fazem a diferença na Polícia Militar do ES

Elas conseguiram o direito de ingressar na corporação há 37 anos; hoje são 14% do efetivo

Públicado em 

07 mar 2021 às 02:00
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Cabo Ravena Lahass com o cão Eudis: “Vejo a importância da mulher no serviço policial justamente pela competência que temos”
Cabo Ravena Lahass com o cão Eudis: “Vejo a importância da mulher no serviço policial justamente pela competência que temos” Crédito: PMES/Divulgação
Ser mulher no Brasil nunca foi uma tarefa fácil. Demoraram a ter direito de votar, de ser tratada de forma igualitária na família, de poder trabalhar fora e até de ser combatente nas instituições policiais e militares. No Espírito Santo, há 37 anos, elas superaram mais um dos grandes e históricos obstáculos machistas e ingressaram na Polícia Militar. Hoje o efetivo é composto por 1.165 mulheres (incluindo os alunos em formação), o que corresponde a 14% do total da tropa.
O certo é que toda luta tem um começo, um pioneirismo. No ES não foi diferente. O primeiro concurso surgiu em 1983, 51 anos após a conquista do primeiro voto feminino. O Estado, por sinal, foi um dos primeiros a autorizar que mulheres pudessem seguir esse tipo de profissão, até então um feudo do universo masculino.
Na época, com o país vivendo os momentos finais da ditadura militar que seria deposta dois anos depois, 67 policiais femininas, de forma pioneira, ingressaram na Companhia de Polícia Feminina, onde desempenhavam papéis específicos, e de certa forma secundários, atuando em aeroportos, rodoviárias e praças.
De lá para cá, entretanto, elas alcançaram patentes maiores, passando por aspirante, tenente, capitão, até chegar à mais alta, a de coronel. Hoje em dia, existem 98 oficiais femininas que ocupam diferentes funções de comando no âmbito da instituição, como assessorias, comando de companhias e chefia de seções e subseções, entre outras.
Faltava o oficialato. Faltava. O primeiro concurso para oficiais começou em 1987, em Prado, Minas Gerais. Quando as mulheres capixabas retornaram de lá, em 1989, a Companhia de Polícia Feminina foi extinta.
A partir daí elas começaram a ocupar outros setores que, até então, eram compostos apenas por homens, como os batalhões, as companhias Independentes, as unidades especializadas como Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), o Batalhão de Polícia Ambiental (BPAmb) e, também, na Banda de Música da PMES. Nos concursos atuais, não há separação de gênero.

DE SARGENTO A CORONEL

Uma das pioneiras da PM capixaba é Sônia do Carmo Grobério. Oriunda de uma família de origem humilde de Resplendor, Minas Gerais, viu no concurso da Polícia Militar capixaba uma forma de ajudar a sua família.
Sônia dedicou 37 anos da sua vida à corporação e atuou em setores como a Corregedoria, o BPTrans e a Academia da Polícia Militar. Mas só em 2010 que alcançou sua maior patente, tornando-se tenente-coronel e comandando o 4º Batalhão da PM, em Vila Velha. Não foi pouca coisa: foi a primeira mulher a assumir um cargo como esse na PMES.
Sônia Grobério, a primeira mulher a se tornar coronel da Polícia Militar do ES
Sônia Grobério, a primeira mulher a se tornar coronel da Polícia Militar do ES Crédito: PMES/Divulgação
"Quando eu assumi o comando, busquei ficar mais próxima da comunidade. Participava de diversas reuniões com os moradores e também com outros serviços de segurança pública, como a prefeitura e a Polícia Civil. Com isso, consegui um resultado satisfatório quando saí do batalhão. Fechei minha carreira com chave de ouro"
Sônia Grobério - Coronel da reserva da PM
Durante a carreira, Sônia fez várias especializações na área de segurança pública, como mestrado e doutorado. Foi promovida a coronel em 2013, antes de ir para a reserva. Atualmente, é a única mulher que atua no Conselho da Caixa Beneficente da PM. Nada a estranhar: lembrem-se de que estamos falando de pioneirismo.

COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM MÚSICA

Quando estava no quarto período de bacharelado em música na Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames), a subtenente Larissa Muniz, de 44 anos, teve um sonho: entrar no Corpo Musical da PMES.
Era 1999, ano da realização do primeiro concurso que permitiu que mulheres entrassem na banda. Com 22 anos de carreira, Larissa já participou de eventos dentro e fora do Estado. Em 2008, tocou como flautista junto com a banda na International Beatle Week, em Liverpool, Inglaterra. Foi o primeiro evento internacional da banda da PMES.
Subtenente Larissa Muniz: pioneira na banda de música da corporação
Subtenente Larissa Muniz: pioneira na banda de música da corporação Crédito: PMES/Divulgação
A subtenente reforça que a banda não aliena seus integrantes do dia a dia da sociedade. Pelo contrário: a flautista destaca que a formação musical também tem responsabilidade social, já que toca em terminais rodoviários, ruas e escolas.
“Vamos em escolas que estão em áreas de vulnerabilidade social. As crianças que geralmente veem a PM de maneira ostensiva, acabam vendo um outro lado, entendendo que estamos lá para defendê-las. Muitas, ainda, começam a ter vontade de seguir a profissão”, contou a subtenente, que atualmente está na área administrativa do Corpo Musical da PM.

MULHER NO PATRULHAMENTO OSTENSIVO

Entre as oito mulheres que atuam na Companhia Independente de Operações com Cães (Cioc) está a cabo Ravena Lahass, de 28 anos. A militar, que ingressou na corporação em 2013, atua no pelotão operacional da Cioc, realizando treinamento e patrulhamento com os cães em toda a Grande Vitória e em algumas operações no interior do Estado.
Durante o patrulhamento, a cabo fica com o K9, como é chamado o cão Eudis, e realiza, junto com outros militares, buscas por materiais ilícitos, como armas e drogas. E, quando não está pelas ruas, ajuda os policiais que ainda não têm o curso necessário para atuar com os cães. “Durante o treinamento, eu participo auxiliando os militares, corrigindo a postura, mostrando como tem que conduzir o cão e mostrando outras técnicas”, explica.
Orgulhosa da profissão, a cabo destaca a diversidade do trabalho feminino da Polícia Militar, inclusive na Cioc. “Vejo a importância da mulher no serviço policial justamente pela competência que temos”, observa.

SONHO DE INFÂNCIA

Existem casos de mulheres que ingressaram na PM movida pela “genética militar”. É o caso da aluna soldado Sabrina Abreu Batista, de 25 anos, que desde criança tem o pai como inspiração. Ela o via chegando em casa fardado e percebia o orgulho que o sargento tinha da profissão. Por isso, ela quis prestar o concurso para ser militar. “Foi meu primeiro concurso e foi bastante desafiador, mas eu tinha meu pai me dando apoio”, diz, com o carinho devido ao seu exemplo de vida.
Aluna soldado Sabrina Abreu Batista: carreira militar inspirada no pai
Aluna soldado Sabrina Abreu Batista: carreira militar inspirada no pai Crédito: PMES/Divulgação
A aluna soldado começou a carreira militar pensando em atuar na área administrativa e no patrulhamento. No momento, ela está fazendo o curso e deve começar a atuar no ano que vem. Por ter conseguido entrar na corporação, ela afirma que as mulheres têm papéis importantes na polícia. “Nós, como mulheres, temos capacidade de organização e execução da mesma forma que os homens. O ambiente militar também é para mulher”, destaca.
São exemplos de vitórias femininas num ambiente que, até pouco tempo, era exclusivo de homens. Hoje elas são 14% da PMES. Chegará o dia em que vão empatar essa estatística e, certamente, superá-la. Alguém duvida? Viva a mulher! Viva a policial feminina!

Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Feedral do Espírito Santo.

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